Os casos de feminicídio registrados em Mato Grosso revelam um padrão que se repete: mulheres assassinadas por companheiros, ex-companheiros ou pessoas próximas, muitas vezes dentro da própria casa.
Dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT) mostram que grande parte desses crimes ocorre em contextos de convivência familiar e, em muitos casos, já havia histórico de ameaças ou violência contra as vítimas.
Neste Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo (8), um levantamento dos feminicídios registrados neste ano no estado mostra as características que essas mortes têm em comum.
Até 2 de março de 2026, quatro casos haviam sido contabilizados em Mato Grosso. As vítimas tinham entre 29 e 51 anos e, em todos os episódios, os suspeitos eram homens que mantinham algum tipo de relação próxima com elas, como marido, ex-marido ou companheiro.
O cenário acompanha um histórico preocupante de violência contra mulheres no estado. Em 2025, Mato Grosso registrou 53 feminicídios, número 13% maior que o registrado em 2024, quando foram contabilizados 47 casos.
No total, 95 mulheres foram assassinadas no estado no ano passado, considerando homicídios dolosos e feminicídios. Apesar de representar uma redução de 4% em relação a 2024, quando houve 99 mortes, o número de feminicídios aumentou no mesmo período.
Características em comum
Os quatro casos registrados neste ano apresentam características semelhantes:
Casos registrados em 2026:
Um dos casos mais recentes é o da professora Luciene Naves Correia, de 51 anos, assassinada a tiros dentro da própria casa, no bairro Osmar Cabral, em Cuiabá.
O principal suspeito é o ex-marido da vítima, Paulo Neves Bispo, de 61 anos, contra quem Luciene já possuía medida protetiva.
Segundo a Polícia Militar, o homem invadiu a residência enquanto a professora tomava café da manhã. Após atirar contra a ex-companheira, ele ainda tentou atacar a filha do casal, que conseguiu se trancar em um quarto.
Durante a fuga, o suspeito foi perseguido por moradores e acabou sendo baleado por um policial militar de folga, morrendo no local.
De acordo com a polícia, ele ainda seguia em direção à casa de outra filha do casal, com a intenção de matá-la.
Familiares relataram que o botão do pânico do aplicativo SOS Mulher MT já havia sido acionado anteriormente, mas afirmam que não houve tempo de evitar o crime.
Em Nova Maringá, Laila Carolina Souza da Conceição, de 29 anos, foi encontrada morta dentro da casa onde morava, no dia 11 de janeiro. A vítima apresentava diversos golpes de faca. Vizinhos acionaram a polícia após ouvirem uma discussão na residência.
Quando os policiais chegaram ao local, um dos filhos da vítima estava do lado de fora da casa, em estado de desespero, pedindo ajuda.
O suspeito, que era cunhado da vítima e mantinha um relacionamento com ela, foi localizado nas proximidades com uma faca e manchas de sangue no corpo. Ele foi preso em flagrante e confessou o crime.
A esteticista Ana Paula Lima Carvalho, de 48 anos, morreu após passar 24 dias internada no Hospital Municipal de Cuiabá. Ela havia sido esfaqueada dentro de casa, em Chapada dos Guimarães, no dia 11 de janeiro.
Segundo a Polícia Civil, o principal suspeito é o ex-genro da vítima, de 30 anos, que teria invadido a residência e desferido vários golpes de faca antes de fugir.
Em Lucas do Rio Verde, Jaqueline de Araújo dos Santos, de 40 anos, foi morta a facadas pelo próprio marido. A vítima chegou a ligar para a polícia pedindo socorro, mas morreu antes da chegada da equipe.
De acordo com a Polícia Militar, o suspeito foi encontrado sentado ao lado do corpo da vítima e confessou o crime.
Ele relatou que mantinha relacionamento com Jaqueline havia cerca de três anos e que os dois haviam voltado a morar juntos poucos dias antes.
Segundo o relato, o casal consumia bebida alcoólica desde a tarde e, durante a madrugada, uma discussão terminou no ataque.
O que é medida protetiva?
A medida protetiva é uma ordem judicial criada para proteger pessoas que estejam em situação de risco ou violência.
Ela pode determinar, por exemplo:
Também existem medidas voltadas diretamente à vítima, garantindo a proteção da sua integridade física, de seus bens e de familiares.
Quem pode solicitar?
Qualquer mulher que esteja em situação de violência doméstica ou familiar pode solicitar uma medida protetiva, independentemente do tipo de agressão ou ameaça.
Como solicitar?
O pedido pode ser feito em delegacias, no Ministério Público ou na Defensoria Pública, e a mulher não precisa estar acompanhada por advogado para solicitar a medida.
Fonte: G1MT
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