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Presídios femininos de Arenápolis e Nortelândia são notificados por superlotação e violações de direitos em MT

As inspeções apontaram problemas semelhantes nas duas unidades, incluindo ausência de segurança contra incêndios, falta de plano de contingência, falhas na separação de presas por regime e perfil, além de deficiências graves na assistência à saúde.

Escrito por Samantha Quinzani

20 JAN 2026 - 16H12

Duas unidades prisionais femininas de Mato Grosso foram notificadas na última semana pelo Ministério Público Estadual (MPE) devido à superlotação e a condições consideradas desumanas. As cadeias públicas de Arenápolis e Nortelândia receberam recomendações para adequação imediata das estruturas e dos serviços, mas, até o momento, não foram oficialmente interditadas.

Conforme o pedido apresentado pelo promotor de Justiça Phillipe Alves de Mesquita, foi estabelecido prazo de cinco dias para correção das irregularidades. Caso as medidas não sejam adotadas, o Ministério Público poderá ingressar com ação judicial solicitando a interdição das unidades. O prazo para adequação da cadeia de Arenápolis se encerra nesta segunda-feira (19), enquanto o de Nortelândia expirou na última sexta-feira (16).

As inspeções apontaram problemas semelhantes nas duas unidades, incluindo ausência de segurança contra incêndios, falta de plano de contingência, falhas na separação de presas por regime e perfil, além de deficiências graves na assistência à saúde e à ressocialização.

Em Nortelândia, a situação é ainda mais crítica devido à superlotação de 176,6%, com 106 detentas em um espaço projetado para apenas 60 vagas. O presídio também registrou um motim em 31 de dezembro de 2025, atribuído a conflitos internos agravados pela precariedade estrutural.

Já em Arenápolis, a cadeia feminina opera com 182% da capacidade, abrigando 155 mulheres em um espaço para 86. Além da superlotação, a unidade enfrenta falhas no fornecimento de água, falta de itens básicos e inexistência de assistência educacional, psicológica e social.

Nortelândia

O presídio feminino de Nortelândia possui capacidade para 60 pessoas privadas de liberdade, mas mantém atualmente cerca de 106 detentas. O excesso de internas e a falta de estrutura mínima comprometem a segurança e a dignidade das presas, com ausência de condições adequadas de prevenção a incêndios, inexistência de separação entre presas provisórias e condenadas e carência severa na assistência à saúde.

A unidade passou por um motim no dia 31 de dezembro de 2025, provocado, segundo relatório, por conflitos interpessoais entre as internas. A situação teria sido agravada pela falta de serviços básicos, como biblioteca, cantina para venda de produtos permitidos e espaço adequado para assistência religiosa.

Entre as principais irregularidades identificadas estão:

. Segurança e estrutura: inexistência de plano de prevenção e combate a incêndios, ausência de Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) e falta de estudo de análise de risco ou plano de contingência;

. Superlotação e separação: população carcerária acima da capacidade, sem separação entre presas provisórias e condenadas, regimes distintos, idosas, indígenas ou detentas com doenças infectocontagiosas;

. Saúde: ausência de enfermaria, inexistência de exames médicos prévios ao ingresso, prontuários incompletos e falta de equipe adequada à Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das Pessoas Privadas de Liberdade (PNAISP);

. Assistência e ressocialização: inexistência de espaço para a Defensoria Pública, ausência de assistência social e psicológica, falta de biblioteca, cantina e local apropriado para assistência religiosa;

. Dignidade e trabalho: realização de visitas íntimas em celas ou corredores, inexistência de programas de apoio ao egresso e falta de adaptação do trabalho para idosas ou pessoas com deficiência;

. Gestão e pessoal: carência de policiais penais femininas e falha na comunicação a Funai sobre o ingresso de detentas indígenas.

Arenápolis

A Cadeia Pública de Arenápolis passou a funcionar como unidade feminina com o objetivo de atender à demanda regional e reduzir a superlotação. No entanto, atualmente abriga 155 mulheres, apesar da capacidade máxima de 86 vagas, o que representa superlotação de 182%.

A unidade apresenta uma série de falhas estruturais e administrativas que comprometem a segurança, a saúde e a dignidade das custodiadas. Entre os principais problemas estão:

. Superlotação: número de internas muito acima da capacidade projetada, violando o direito ao cumprimento de pena em condições dignas;

. Falta de separação de presas: ausência de distinção entre presas provisórias e condenadas, regimes diferentes e entre primárias e reincidentes;

. Deficiência material e sanitária: não fornecimento de roupas de cama e interrupções no abastecimento de água potável;

. Ausência de planejamento de crise: inexistência de análise de risco e plano de contingência para emergências;

. Privação de assistência educacional e psicossocial: inexistência de oferta regular de ensino, assistência psicológica e social;

. Insegurança contra incêndios: falta de Plano de Prevenção e Combate a Incêndio (PPCI) e de Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) válido.

Fonte: G1MT

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Por Samantha Quinzani, em Segurança

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