Hoje, caros leitores, vou compartilhar com vocês uma história que aconteceu bem debaixo de nossos narizes, no coração do sistema mais duro do transporte público. É uma crônica que retrata um dia de caos no metrô, uma experiência que muitos de nós já vivenciaram, mas que sempre nos deixa perplexos.
Era uma manhã ensolarada, dessas que parecem prometer um dia tranquilo e produtivo. Eu, como de costume, peguei o metrô para ir ao trabalho. O ritual diário de entrar na estação, passar pela catraca e descer a escada rolante já estava incorporado à minha rotina. Mas, assim que cheguei à plataforma, percebi que algo estava fora do lugar.
A primeira pista de que algo estava errado foi a aglomeração incomum de pessoas na plataforma. O espaço que normalmente é ocupado por um número razoável de passageiros estava agora lotado, como sardinha enlatada. Cada centímetro quadrado era disputado como um bem precioso. As expressões de irritação e impaciência eram evidentes nos rostos dos viajantes.
O quadro era caótico. O letreiro eletrônico piscava com mensagens confusas, alternando entre atrasos e cancelamentos. Os alto-falantes chiavam e interrompiam a música suave que normalmente tocava no fundo. O metrô, que deveria ser uma máquina precisa e eficiente, parecia ter entrado em colapso.
Como uma observadora atenta, não pude deixar de notar o comportamento das pessoas diante dessa situação inusitada. Algumas suspiravam com resignação, outras conversavam animadamente como se estivessem em uma reunião de negócios improvisada, enquanto algumas simplesmente olhavam fixamente para seus smartphones, alheias ao caos ao seu redor.
As teorias sobre o que causou esse tumulto se espalhavam como fogo em palha seca. Alguém mencionou uma falha técnica, outra culpou a manutenção inadequada e ainda houve quem acreditasse que era uma conspiração para atrasar todos nós. A verdade, no entanto, permanecia oculta no burburinho da multidão.
Enquanto esperava, comecei a refletir sobre a ironia dessa situação. Vivemos em uma era de tecnologia avançada, onde a informação flui rapidamente e a comunicação é instantânea. Mas, mesmo assim, estamos sujeitas a incidentes que nos remetem à idade das trevas do transporte público. O metrô, um símbolo da modernidade, às vezes parece se rebelar contra a própria era em que existe.
Finalmente, após uma espera que pareceu uma eternidade, o metrô chegou. A multidão se aglomerou ainda mais na plataforma enquanto todas tentavam entrar. Empurrões, cotoveladas e olhares furiosos eram a norma. Era como se estivéssemos competindo em uma corrida desesperada contra o tempo.
Dentro do vagão, a sensação de alívio era palpável. Todos nós estávamos a caminho de nossos destinos, deixando para trás o caos da plataforma. Mas essa experiência, que inicialmente parecia um pesadelo, acabou sendo uma lição sobre nossa capacidade de adaptação e resistência diante das adversidades urbanas.
Enquanto observava as estações se sucedendo pela janela, percebi que, por mais moderna que seja a cidade, continuamos a enfrentar desafios inesperados. No entanto, é nossa habilidade de lidar com essas situações e nossa solidariedade como passageiros que nos mantêm avançando, mesmo nos dias de caos no metrô. Afinal, na selva urbana, a cada viagem somos todos passageiros em busca de um destino comum: chegar em casa.
Simoni Bergamaschi
Advogada, Cronista, Mãe, Filha, Irmã, Cunhada e Tia.
Texto de Responsabilidade do(a) Autor(a).
Fonte: Simoni Bergamaschi
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