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Fim de semana de Carnaval em MT tem 12 ocorrências de violência doméstica contra mulheres

Os casos envolvem crimes como lesão corporal, ameaça, dano, agressão e até sequestro e cárcere privado.

Escrito por Samantha Quinzani

16 FEV 2026 - 18H47

Mais de 10 mulheres foram vítimas de violência doméstica em Mato Grosso durante o fim de semana de Carnaval. Entre sábado (14) e domingo (15), a Polícia Militar do Estado de Mato Grosso registrou 12 boletins de ocorrência. Ao todo, 15 vítimas, com idades entre 16 e 64 anos, precisaram de atendimento nesse período.

Os números não incluem o caso da professora Luciene Naves Correia, de 51 anos, baleada dentro de casa na segunda-feira (16). O principal suspeito é o marido, Paulo Neves Bispo, de 61 anos, contra quem ela possuía medida protetiva.

As ocorrências envolvem crimes como lesão corporal, ameaça, dano, agressão e até sequestro e cárcere privado. Em muitos casos, as agressões aconteceram após discussões motivadas por ciúmes, consumo excessivo de álcool, desentendimentos em confraternizações, tentativas de separação ou conflitos ligados a relacionamentos anteriores.

Os registros foram feitos em 11 municípios: Pontes e Lacerda, Rondonópolis, Barra do Garças, Várzea Grande, Guarantã do Norte, Cuiabá, Sorriso, Mirassol D’Oeste, Nova Olímpia e Poconé.

Os suspeitos têm entre 24 e 50 anos. A maioria foi presa em flagrante e encaminhada à Polícia Judiciária Civil do Estado de Mato Grosso para as providências cabíveis. Em todos os casos, os investigados mantinham vínculo afetivo ou familiar com as vítimas — como marido, companheiro ou ex.

Mulher e filha mantidas em cárcere privado

Em Várzea Grande, na região metropolitana de Cuiabá, uma mulher de 38 anos e a filha dela, de 16, foram agredidas e mantidas em cárcere privado pelo namorado da mãe, de 31 anos, na madrugada de domingo (15). Segundo a Polícia Militar, o suspeito ingeriu bebida alcoólica, saiu de casa e, ao retornar, iniciou uma discussão. Ele passou a agredir a companheira com socos, puxões de cabelo e batidas da cabeça dela contra a parede.

Ainda conforme a ocorrência, o homem pegou uma faca e ameaçou a adolescente — enteada dele — e o namorado da jovem, que também estava na residência. A vítima relatou que não é a primeira vez que sofre agressões e afirmou que pretende solicitar medida protetiva, pois teme por sua integridade física. Ela apresentava ferimento na cabeça e dores pelo corpo.

Ex-marido agride mulher com capacete

Em Poconé, a 104 km de Cuiabá, uma mulher de 38 anos denunciou ter sido agredida pelo ex-marido, de 28, poucas semanas após a separação. O caso aconteceu no sábado (14), quando ela foi até uma distribuidora e encontrou o suspeito.

Segundo relato à PM, o homem a atacou com um capacete, a derrubou sobre a motocicleta e a puxou pelos cabelos, arrastando-a pelo chão. A vítima sofreu escoriações nas pernas e no pé esquerdo. Antes de deixar o local, o suspeito ainda danificou a moto, que havia sido emprestada por um amigo.

Agressão na frente das filhas

Já em Rondonópolis, uma mulher de 27 anos foi agredida pelo marido, de 33, na madrugada de domingo (15). De acordo com a Polícia Militar, a vítima participava de uma confraternização com familiares quando o suspeito, ao ser acordado para ir embora, passou a agir de forma agressiva.

Em casa, ele atingiu o rosto da mulher com socos ou tapas, causando hematomas, olho roxo, inchaço e lesão no nariz com sangramento. As agressões ocorreram na presença das filhas do casal. O homem também danificou a porta do banheiro e um ventilador. A mãe da vítima foi até o local após receber uma ligação da filha, mas também acabou sendo agredida pelo genro.

Aumento de feminicídios em 2025

Mato Grosso registrou 52 casos de feminicídio entre janeiro e dezembro de 2025, segundo dados do Observatório Caliandra, divulgados pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso. É o maior número desde 2020, quando foram contabilizados 62 casos.

Feminicídio é o assassinato de uma mulher motivado por violência doméstica ou discriminação de gênero. Conforme o levantamento, os principais fatores em 2025 foram o fim de relacionamentos, ciúmes associados ao sentimento de posse e menosprezo à condição feminina.

Entre as vítimas, sete tinham medidas protetivas em vigor. Outras 45 não possuíam proteção judicial no momento do crime. Ainda de acordo com dados divulgados pelo portal g1, 18 homens são considerados foragidos da Justiça por feminicídio no estado, a maioria com mandados de prisão preventiva.

Como pedir ajuda:

O aplicativo SOS Mulher MT é uma das ferramentas disponíveis para vítimas de violência doméstica no estado. A plataforma conta com botão do pânico, que pode ser acionado quando o agressor descumpre medida protetiva.

A função está disponível, por enquanto, em Cuiabá, Várzea Grande, Cáceres e Rondonópolis. Nos demais municípios, o aplicativo oferece orientações para solicitação de medida protetiva online, telefones de emergência, endereços das Delegacias da Mulher, plantão 24 horas, denúncias e acesso à Delegacia Virtual.

O que é a Lei Maria da Penha?

A Lei Maria da Penha foi sancionada em 7 de agosto de 2006 com o objetivo de criar mecanismos para prevenir e combater a violência doméstica e familiar contra a mulher.

A legislação considera violência doméstica qualquer ação baseada no gênero que cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial.

De acordo com o Instituto Maria da Penha, a violência pode ser:

  • Física: agressões que atingem a integridade corporal, como espancamento e estrangulamento.
  • Psicológica: ameaças, humilhações, manipulação, isolamento e perseguição.
  • Sexual: obrigar a mulher a manter ou presenciar relação sexual não desejada.
  • Patrimonial: retenção ou destruição de bens, documentos e recursos financeiros.
  • Moral: calúnia, difamação e injúria.

As medidas protetivas são ordens judiciais que buscam garantir a segurança da vítima, podendo determinar o afastamento do agressor ou assegurar a proteção da mulher, de seus bens e de sua família.

Qualquer mulher em situação de violência pode solicitar medida protetiva em delegacias, no Ministério Público ou na Defensoria Pública, sem a necessidade de estar acompanhada por advogado.

Fonte: G1MT

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