O Ministério Público de Mato Grosso (MP-MT) defendeu que o advogado Paulo Roberto Gomes dos Santos não teve intenção de matar ao atropelar a pedestre Ilmes Dalmes Mendes da Conceição, de 71 anos, na Avenida da FEB, em Várzea Grande. A manifestação foi feita pelo promotor César Danilo Ribeiro de Novais.
Segundo o MP, com base em laudos periciais, imagens e depoimentos colhidos durante a investigação, ficou comprovado que o advogado dirigia em alta velocidade, porém sem a intenção de provocar a morte da vítima. Dessa forma, o órgão afastou a possibilidade de homicídio doloso.
O atropelamento ocorreu no dia 20 de janeiro, quando a idosa atravessava a avenida e foi atingida pelo veículo conduzido pelo advogado. Com o impacto, ela foi arremessada para a pista contrária e acabou sendo atropelada por um segundo carro, morrendo ainda no local.
Em depoimento à polícia, Paulo Roberto afirmou que a vítima teria colidido contra o veículo dele, o que teria provocado o acidente. No entanto, um laudo da Delegacia de Delitos de Trânsito (Deletran) apontou que o motorista trafegava a cerca de 102 km/h, em um trecho onde a velocidade máxima permitida é de 60 km/h.
Apesar da gravidade da conduta, o Ministério Público destacou que não foram constatadas circunstâncias agravantes, como embriaguez ao volante, participação em racha ou manobras intencionais. Por isso, o entendimento é de que o caso se enquadra como homicídio culposo, quando não há intenção de matar.
Agora, caberá à Justiça decidir se aceita o pedido do MP. Caso isso ocorra, o processo não será levado a julgamento pelo Tribunal do Júri.
Histórico criminal
De acordo com a polícia, o advogado possui um histórico criminal. Ele foi condenado pelo assassinato do delegado Eduardo da Rocha Coelho, morto com um tiro na nuca. Após o crime, fugiu do estado e passou a viver em Mato Grosso utilizando o nome falso Francisco de Ângelis Vaccani Lima, sendo condenado, em 2006, a 13 anos de prisão.
Paulo Roberto também foi denunciado e condenado pelo assassinato da estudante de enfermagem Rosemeire Maria da Silva, de 25 anos, ocorrido em 2004, em Juscimeira, a 164 quilômetros de Cuiabá. Segundo as investigações, a vítima foi asfixiada em uma banheira de motel, teve o corpo decapitado e jogado em rios da região. Ele recebeu pena de 19 anos de prisão por homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver e falsificação de documentos.
A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT) informou que a carteira profissional do advogado foi suspensa somente após o atropelamento ocorrido na Avenida da FEB.
Fonte: G1MT
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