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Mato Grosso registra mais de mil homicídios e mantém taxa de violência acima da média nacional

Estado contabilizou 1.102 assassinatos em 2024 e aparece entre os que tiveram maior agravamento da violência letal nos últimos cinco anos, aponta Atlas da Violência 2026.

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Escrito por Samantha Quinzani

26 MAI 2026 - 16H56

Mato Grosso registrou taxa de 29,1 homicídios por 100 mil habitantes em 2024, índice superior à média nacional de 20,1 mortes por 100 mil habitantes, segundo dados do Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira (26) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Conforme o levantamento, o estado contabilizou 1.102 homicídios no ano passado, representando uma redução de 1,7% em relação a 2023. Apesar da queda, Mato Grosso aparece entre os estados que apresentaram maior agravamento da violência letal nos últimos cinco anos, com aumento de 14,1% na taxa de assassinatos entre 2019 e 2024.

Em números absolutos, os homicídios cresceram 23,1% no período de cinco anos. Já na comparação com a última década, o estado apresentou redução de 30,9% na taxa de mortes violentas.

O Atlas da Violência alerta, no entanto, que a redução deve ser analisada com cautela, devido ao aumento dos registros de mortes violentas por causa indeterminada — categoria que pode esconder homicídios não classificados oficialmente.

Entre os fatores apontados pelos pesquisadores para explicar a redução parcial dos homicídios estão mudanças nas políticas de segurança pública estaduais e municipais, com ações baseadas em diagnósticos sobre áreas de maior incidência criminal; alterações nas dinâmicas do crime organizado, incluindo tréguas entre facções em algumas regiões; além do envelhecimento da população, já que os jovens continuam sendo as principais vítimas da violência letal.

Casos de grande repercussão marcaram o estado em 2024. Em abril daquele ano, a pecuarista Ines Gemilaki, de 48 anos, e o filho, o médico Bruno Gemilaki Dal Poz, de 28 anos, invadiram uma residência em Peixoto de Azevedo e mataram os idosos Pilson Pereira da Silva, de 69 anos, e Rui Luiz Bogo, de 81 anos. Durante o ataque, o padre José Roberto também foi baleado e ficou ferido.

Ainda em 2024, três motoristas por aplicativo — Elizeu Rosa Coelho, de 58 anos, Nilson Nogueira, de 42 anos, e Marcio Rogerio Carneiro, de 34 anos — foram assassinados em Várzea Grande, na região metropolitana de Cuiabá.

As investigações apontaram a participação de dois homens, uma mulher e dois adolescentes de 15 anos, apreendidos por envolvimento nos crimes e ocultação dos corpos. Segundo a Polícia Civil, os suspeitos planejavam matar uma vítima por dia.

Outro caso que ganhou repercussão ocorreu em setembro de 2024, em Nobres. Jessé de Arruda Santana, de 24 anos, matou Kauâ Patrick Pires da Silva, de 21 anos, e Tiago Figueiredo da Silva, de 25 anos, após um acidente de trânsito na MT-241.

O irmão dele, Oesdras Marques Arruda Santana, de 29 anos, que conduzia o veículo envolvido no acidente, morreu ainda no local. Conforme as investigações, Kauâ e Tiago sobreviveram à colisão, mas foram executados a tiros por Jessé, que chegou depois em outro automóvel.

Em abril de 2026, Jessé foi condenado a 39 anos e quatro meses de prisão, mas segue foragido desde a data do crime.

Fonte: G1MT

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Por Samantha Quinzani, em Segurança

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