Mato Grosso ocupa a segunda posição no ranking nacional de mortes por acidentes de trabalho, com uma taxa que chama atenção: cerca de 1 em cada 100 ocorrências resulta em óbito — o dobro da média registrada no país. Os dados são do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e foram divulgados nesta semana.
O estado é considerado um caso de “duplo alerta”, já que reúne, ao mesmo tempo, alto número de acidentes e elevada taxa de mortalidade. Entre 2016 e 2025, foram contabilizados 134.549 acidentes de trabalho e 1.257 mortes.
De acordo com o levantamento, o perfil econômico de Mato Grosso ajuda a explicar os números. Atividades ligadas ao agronegócio, ao transporte de cargas e à construção de infraestrutura estão entre as mais arriscadas, aumentando a exposição dos trabalhadores a situações perigosas.
Os dados têm como base registros oficiais das Comunicações de Acidentes de Trabalho (CAT), do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), além de informações do eSocial.
No cenário nacional, o Brasil acumulou, no mesmo período, 6,4 milhões de acidentes de trabalho e 27.486 mortes. Os impactos vão além das perdas humanas: mais de 106 milhões de dias de trabalho foram perdidos por afastamentos temporários, além de cerca de 249 milhões de dias debitados, que refletem consequências permanentes de lesões graves e óbitos.
A análise por setores revela diferenças importantes. A área da saúde lidera em número de acidentes, com mais de 500 mil registros, impulsionada pela alta demanda e sobrecarga de profissionais, especialmente após a pandemia.
Por outro lado, o transporte rodoviário de cargas é o setor mais letal do país. Em dez anos, foram 2.601 mortes, com índices de fatalidade muito acima da média nacional.
Quando se observa por profissão, os técnicos de enfermagem são os que mais se acidentam, enquanto os motoristas de caminhão concentram o maior número de mortes: 4.249 óbitos no período, o que representa, em média, mais de uma morte por dia.
A construção civil também aparece entre as atividades mais perigosas, reunindo alto número de acidentes e mortes, principalmente em áreas como obras de edifícios, terraplenagem e montagem industrial.
Neste último segmento, o risco é considerado extremo: a taxa de incidência pode chegar a 80 mil acidentes a cada 100 mil trabalhadores, evidenciando um ambiente de trabalho com exposição constante a perigos.
Fonte: G1MT
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