A Casa de Apoio de Juína, localizada em Cuiabá e destinada a atender pacientes do município que precisam realizar tratamentos médicos na capital, está sendo alvo de denúncias relacionadas às condições de higiene, alimentação, climatização e estrutura do local.
As denúncias foram feitas no quadro "Você no Balanço", do programa Balanço Geral, da TV Amplitude Juína. Usuários afirmam ter presenciado situações consideradas inadequadas durante o período em que permaneceram na unidade. Um dos usuários, que preferiu não se identificar por medo de possíveis represálias, relatou ter encontrado uma grande quantidade de baratas nas dependências da Casa de Apoio.
Segundo o usuário, durante uma das estadias, ele teria encontrado baratas circulando pelos quartos e banheiros. O relato mais grave envolve uma paciente que estaria recém-operada e, conforme a denúncia, teria tido contato de uma barata próxima ao local onde estava sendo utilizado um dispositivo médico.
O usuário afirmou ainda que chegou a matar algumas baratas e registrou imagens da situação. "É sério. Tinha barata em cima da mulher, a mulher estava operada. Tinha barata entrando num caninho da sonda”, relatou.
De acordo com ele, a presença dos insetos não estaria restrita aos quartos. O usuário também afirmou ter encontrado baratas no banheiro durante o período em que esteve hospedado. “Eu fui tomar banho, fui sem o celular. No banheiro, eu tive que pedir licença para a barata”, contou, em tom de indignação.
Outro ponto levantado pelo usuário diz respeito à alimentação fornecida na Casa de Apoio. Segundo o relato, haveria dias em que a comida apresentaria condições consideradas inadequadas e situações em que sobras do almoço seriam utilizadas posteriormente no jantar.
O usuário afirmou ter presenciado reclamações de outros pacientes que teriam passado mal depois das refeições. “Estão juntando tudo que sobrou do almoço. Não vê se está azedo ou não e junta”, afirmou. Ainda segundo o relato, em determinado período houve pessoas que teriam reclamado de náuseas e vontade de vomitar após as refeições.
O usuário também questionou a qualidade de alguns pratos servidos e afirmou que, em sua avaliação, haveria dias em que a alimentação seria muito diferente daquela oferecida em outras ocasiões.
Ele relatou ainda uma situação em que uma funcionária teria se irritado porque os usuários não teriam colaborado com a preparação de um churrasco e, segundo o denunciante, teria afirmado que faria a comida “do jeito que fosse” e que os usuários teriam que comer.
A declaração, segundo o usuário, teria causado desconforto entre as pessoas que estavam hospedadas no local. A climatização dos quartos também foi citada entre as reclamações.
O usuário afirmou que os aparelhos de ar-condicionado seriam ligados apenas durante a noite, permanecendo desligados durante parte do dia. Segundo ele, em um ambiente utilizado por pacientes que estão em tratamento médico, inclusive pessoas que passaram por cirurgias, seria necessário avaliar se a climatização oferecida é suficiente. “Eu acho que deveria ter mais um capricho”, afirmou.
Outro ponto mencionado no relato envolve a cozinha e a pia utilizada pelos próprios usuários. Segundo o denunciante, os pacientes são responsáveis por lavar os próprios pratos, o que faria com que a pia acumulasse louças e resíduos. Ele afirmou, entretanto, que nem todos os usuários teriam o mesmo cuidado durante a lavagem dos utensílios, o que, na avaliação dele, exigiria maior atenção e fiscalização por parte dos responsáveis pelo local. “Tem que ter cuidado. Tem que ter o mínimo”, declarou.
Diante das situações relatadas, o usuário defendeu que sejam realizadas fiscalizações na Casa de Apoio sem aviso prévio. Na avaliação dele, uma vistoria anunciada antecipadamente poderia não mostrar a rotina habitual do estabelecimento.
Ele sugeriu que responsáveis pela fiscalização realizem visitas inesperadas, inclusive aos finais de semana, para verificar as condições dos quartos, cozinha, banheiros e demais dependências. “Eles têm que chegar de surpresa. Se avisar, eles vão fazer limpeza, o dia que avisa eles fazem a comida diferente”, afirmou.
O usuário também questionou os valores envolvidos na prestação do serviço e afirmou ter ouvido que o município paga mais de R$ 60 por pessoa pela diária. Ele relacionou o valor pago à necessidade de que sejam oferecidas condições adequadas de higiene, alimentação e atendimento aos pacientes.
Apesar das reclamações, o usuário afirmou que decidiu não confrontar diretamente os responsáveis pela Casa de Apoio. Segundo ele, sua esposa teria pedido que evitasse uma discussão no local porque existe a possibilidade de a família voltar a precisar da estrutura durante novos tratamentos médicos. “Minha mulher não deixou. Ela falou: ‘deixa quieto, porque nós vamos precisar disso e eles vão ficar marcando a gente’”, relatou.
O usuário questionou essa preocupação e afirmou que os pacientes têm o direito de cobrar melhorias, já que o serviço é custeado com recursos públicos. “O prefeito está pagando, nós estamos pagando os impostos certinho. Nós temos direito de cobrar, temos direito de mostrar”, declarou.
Mesmo diante das críticas, o usuário deixou claro que reconhece a importância da Casa de Apoio para pacientes de Juína que precisam realizar tratamentos em Cuiabá. Segundo ele, a intenção da denúncia não seria acabar com o serviço, mas chamar a atenção para aquilo que considera problemas básicos que precisam ser corrigidos.
A principal cobrança apresentada pelos denunciantes é para que sejam realizadas fiscalizações e verificações das condições de higiene, alimentação, climatização e estrutura do espaço utilizado pelos pacientes de Juína em Cuiabá.
OUTRO LADO:
A reportagem também ouviu o Sr Neri Alves, usuário da Casa de Apoio há aproximadamente quatro anos. Segundo Neri, ele e a esposa utilizam frequentemente a estrutura e, durante esse período, sua experiência tem sido positiva. “Eu me sinto bem, eu e minha esposa, bem tratados. Uma estrutura boa da Casa de Apoio”, afirmou.
Neri destacou que os pacientes encontram alojamentos preparados quando chegam a Cuiabá, inclusive durante a madrugada. Segundo ele, normalmente os quartos contam com ar-condicionado durante a noite e ventiladores durante o dia. Em casos específicos, o ar-condicionado também seria disponibilizado para pacientes que necessitam de cuidados diferenciados.
Ele citou a própria experiência com a esposa, que passou por cirurgia e tratamentos prolongados. Diferentemente dos relatos apresentados nas denúncias, Neri afirmou considerar a alimentação oferecida pela Casa de Apoio boa. Segundo ele, são disponibilizados café da manhã, almoço, lanche da tarde e jantar.
O usuário, entretanto, explicou que pacientes com necessidades alimentares específicas podem precisar de uma alimentação diferente do cardápio geral. Ele contou que, durante o período em que a esposa realizou radioterapia, permaneceu por cerca de dois meses em Cuiabá e preparava alimentos específicos para ela em uma estrutura disponível na Casa de Apoio.
Segundo Neri, o cardápio oferecido é destinado ao público de maneira geral, mas algumas pessoas precisam de uma alimentação adaptada devido às condições de saúde. Questionado sobre os relatos de presença de baratas, Neri afirmou que não presenciou a situação.
Ele também comentou sobre uma imagem que mostraria a pia da cozinha com louças e resíduos após as refeições. Segundo Neri, a Casa de Apoio pode atender um número elevado de pessoas em determinados dias, chegando, segundo sua experiência, a cerca de 200 pessoas durante uma refeição.
Na avaliação dele, a pia pode ficar acumulada durante o período em que todos estão se alimentando e ser limpa posteriormente.
CONSELHO DE SAÚDE EXPLICA COMO DENÚNCIAS DEVEM SER APURADAS
A reportagem também ouviu o Sr Nelson Cazuza, membro do Conselho Municipal de Saúde, para explicar o papel do órgão diante de reclamações envolvendo serviços de saúde. Segundo Cazuza, o Conselho pode ser acionado para averiguar denúncias e, quando designado, realiza uma apuração que envolve diferentes partes.
Ele explicou que, em uma fiscalização, normalmente são ouvidos o responsável pelo local, os funcionários e também pessoas que utilizam o serviço. As informações são reunidas e posteriormente transformadas em um relatório encaminhado à Secretaria Municipal de Saúde.
Cazuza contou que tomou conhecimento das reclamações envolvendo a Casa de Apoio por meio de comentários e procurou informações junto à Secretaria de Saúde. Segundo ele, naquele momento não havia uma denúncia formal registrada sobre a situação. Cazuza afirmou que não é contrário às denúncias e reconheceu que qualquer usuário tem o direito de reclamar quando identifica algo que considera errado.
Para ele, entretanto, o ideal é que o problema seja inicialmente comunicado aos responsáveis pela Casa de Apoio. Caso não haja solução, a reclamação pode ser encaminhada à Secretaria de Saúde e, posteriormente, aos meios de comunicação. “Se a pessoa viu, veridicamente, algo errado, está no seu dever cobrar”, afirmou.
O conselheiro também demonstrou preocupação com uma eventual interdição da Casa de Apoio, ressaltando que muitos pacientes dependem do espaço para realizar tratamentos em Cuiabá. Ele citou como exemplo a própria família, que depende do serviço para acompanhar o tratamento da esposa.
Segundo Cazuza, pacientes chegam à capital durante a madrugada, são acomodados e posteriormente transportados para hospitais e unidades de saúde. A discussão reúne, portanto, relatos diferentes sobre a realidade da Casa de Apoio.
De um lado, usuários denunciam problemas que consideram graves, principalmente relacionados à higiene, presença de baratas, alimentação, climatização e atendimento. De outro, usuários que frequentam o local há anos afirmam ter experiências positivas e consideram a estrutura importante e adequada para atender pacientes que precisam realizar tratamentos na capital.
O próprio usuário que apresentou as denúncias reconhece a importância do serviço, mas defende que problemas eventualmente existentes sejam identificados e corrigidos.





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