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Ovitrampas apontam redução de focos do Aedes aegypti em Juara, mas Vigilância Ambiental alerta para necessidade de participação da população

Nova metodologia já identificou mais de 11 mil ovos do mosquito e ajudou a mapear áreas de maior risco;

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Escrito por Welliton Medeiros

05 AGO 2026 - 12H02

A Vigilância Ambiental de Juara vem utilizando uma nova metodologia para monitorar a presença do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya. Por meio das armadilhas de ovos, conhecidas como ovitrampas, aliadas ao aplicativo ContaOvos, o município passou a contar com uma ferramenta considerada mais sensível para identificar áreas onde a presença do mosquito exige maior atenção.

Segundo a bióloga Arlete Assunção, responsável pelo acompanhamento das ações, Juara foi contemplada em 2026 pela Secretaria de Estado de Saúde com a implantação da metodologia. O sistema permite não apenas identificar a presença do mosquito, mas também contabilizar os ovos encontrados e apontar os locais onde a Vigilância Ambiental deve intensificar as ações.

Na primeira instalação das armadilhas, o índice de positividade chegou a 80%, com mais de 11 mil ovos capturados. O resultado inicial chamou a atenção para a quantidade de áreas que apresentavam maior risco de proliferação do mosquito.

De acordo com Arlete, os pontos identificados como positivos são representados no mapa por áreas de alerta. Segundo a especialista, cada armadilha positiva indica a necessidade de atenção em uma região que pode sofrer a circulação do mosquito em um raio de vários quarteirões.

Indicadores apresentam redução

A situação, entretanto, apresentou melhora ao longo dos ciclos de monitoramento. Após a intensificação das ações de combate, incluindo mutirões de limpeza realizados desde o final de 2025 e o acompanhamento sistemático por meio das ovitrampas, a Vigilância Ambiental identificou uma redução significativa nos pontos considerados críticos.

No primeiro ciclo, o mapa apresentava uma quantidade elevada de pontos vermelhos, que indicavam armadilhas com mais de 100 ovos capturados. Já na quarta instalação, realizada em julho, a quantidade desses pontos apresentou redução considerada expressiva pela equipe.

Até o momento, segundo os dados apresentados pela Vigilância Ambiental, Juara contabiliza 209 notificações de dengue em 2026, número considerado inferior ao registrado no ano anterior.

Em 2025, o município havia enfrentado um cenário de surto de arboviroses, com mais de mil notificações envolvendo dengue, zika e chikungunya.


Agentes encontram dificuldade para entrar nos imóveis

Apesar da melhora nos indicadores, a Vigilância Ambiental alerta que um dos principais desafios atualmente é a dificuldade encontrada pelos agentes de combate às endemias para realizar as vistorias nos imóveis.

Segundo Arlete, em alguns casos os moradores não atendem os profissionais, mesmo quando as armadilhas instaladas nas proximidades indicam a presença de grande quantidade de ovos.

A bióloga explica que a identificação de uma armadilha positiva representa um sinal de alerta para aquela região e exige uma investigação mais detalhada dos possíveis criadouros.

“Se eu tenho uma armadilha vermelha, é porque ali tem mosquito”, destacou a profissional durante a entrevista.

A equipe relata situações em que agentes retornam diversas vezes aos mesmos imóveis sem conseguir realizar a vistoria. Para a Vigilância Ambiental, imóveis que permanecem fechados podem esconder possíveis criadouros e dificultar o trabalho de controle.

Combate ao mosquito depende de ação conjunta

A especialista reforça que o combate ao Aedes aegypti não depende apenas da aplicação de inseticidas. Segundo ela, o controle efetivo exige a combinação de diferentes estratégias, envolvendo o poder público, agentes de combate às endemias, agentes comunitários de saúde e, principalmente, os moradores.

A orientação é que a população reserve pelo menos dez minutos por semana para verificar quintais, vasos de plantas, recipientes, calhas e outros locais que possam acumular água.

A Vigilância também reforça que os moradores devem receber os agentes de combate às endemias e colaborar com as inspeções.

Alterações climáticas preocupam Vigilância Ambiental

Outro fator que vem sendo acompanhado pela equipe é a alteração do regime de chuvas e das temperaturas. Durante a entrevista, Arlete destacou que o período recente tem apresentado chuvas consideradas atípicas para os meses de julho e agosto, além de temperaturas elevadas.

Segundo ela, a combinação de calor intenso com chuvas esporádicas pode favorecer o surgimento de novos criadouros. Pequenos recipientes que acumulam água podem se transformar em locais propícios para a reprodução do mosquito.

A Vigilância Ambiental também alerta para situações comuns durante períodos de calor, como a utilização de água para manter plantas e vasos úmidos. Quando essa água permanece acumulada, pode se transformar em criadouro.

A equipe afirma que vem acompanhando os efeitos das alterações climáticas e recebendo orientações da Secretaria de Estado de Saúde para adequar as estratégias de prevenção.

Vigilância pede colaboração dos moradores

Mesmo com a redução dos indicadores, a Vigilância Ambiental considera fundamental manter o alerta e evitar uma nova elevação dos casos de dengue, zika e chikungunya.

A orientação é simples: eliminar qualquer recipiente que possa acumular água, manter os quintais limpos, permitir a entrada dos agentes nos imóveis e comunicar à Secretaria de Saúde situações que possam representar risco de proliferação do mosquito.

Para a bióloga Arlete Assunção, o resultado positivo da nova metodologia só poderá ser mantido se houver participação efetiva da comunidade.

A expectativa da Vigilância Ambiental é que a mobilização conjunta entre poder público e população contribua para evitar que Juara volte a enfrentar um cenário de surto de arboviroses no final de 2026 ou no início de 2027.

A prevenção começa dentro de casa. Dez minutos por semana podem fazer a diferença no combate ao mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya.


Fonte: Vigilancia Ambiental

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