Em entrevista concedida ao repórter Welliton, a psicóloga do órgão, Aline Lisboa, revelou dados do primeiro semestre de 2026 e apresentou as ações de acolhimento e reinserção social desenvolvidas na nova sede da instituição.
Segundo o balanço do CREAS, entre janeiro e o início de julho de 2026, quase 60 mulheres vítimas de agressões foram atendidas e acompanhadas pela equipe multidisciplinar no município após encaminhamento da Delegacia de Polícia Civil.
"Pasme, mas são quase 60 mulheres do nosso município de Juara que foram agredidas e sofreram algum tipo de violência só neste primeiro semestre. A delegacia faz o encaminhamento e nós realizamos todo o acompanhamento. Infelizmente é a nossa realidade, e precisamos divulgar esses dados para que a sociedade e as próprias mulheres fiquem em alerta", revelou a psicóloga.
"Em briga de marido e mulher se mete a colher, sim"
Aline Lisboa destacou que a violência contra a mulher não se limita à agressão física, abrangendo também as modalidades verbal, psicológica, patrimonial e sexual. A profissional desmistificou o ditado popular sobre não intervir em conflitos de casais, ressaltando que a omissão perpetua o ciclo de abusos.
"Existe um ditado antigo que diz que 'em briga de marido e mulher não se mete a colher'. Mas nós estamos aqui justamente para 'meter a colher', fazer esse trabalho de defesa das nossas mulheres e conscientizá-las de que elas não podem permanecer em um ambiente tóxico e violento", enfatizou.
O CREAS atua de portas abertas para receber não apenas as mulheres, mas também os filhos envolvidos no contexto da violência intrafamiliar, oferecendo suporte emocional, social e jurídico.
Estrutura renovada: Oficinas terapêuticas e geração de renda
A implantação das novas atividades de apoio coincide com a inauguração da nova sede do CREAS de Juara, um pleito antigo da Assistência Social viabilizado na gestão da secretária Cristina Mota.
O novo espaço físico permitiu a criação de oficinas terapêuticas e artesanais, realizadas semanalmente sob a orientação de uma instrutora especializada. O projeto busca restaurar a autoestratégia, a autonomia e a esperança das atendidas:
Capacitação Profissional: Aprendizado de técnicas artesanais para criação de renda própria e busca de independência financeira;
Grupo Terapêutico: Encontros quinzenais conduzidos pela psicóloga Aline Lisboa para fortalecimento emocional e apoio mútuo;
Convivência e Lazer: Momentos de descontração ao final dos encontros, com lanches coletivos e troca de experiências entre mulheres que superaram situações semelhantes.
"Ver esse prédio pronto e estruturado é um sonho realizado. As oficinas funcionam como uma oportunidade de nova profissão e renda, aliadas ao grupo terapêutico. Conhecer pessoas que passaram pelo mesmo problema e estão se superando ajuda imensamente na reconstrução dessas vidas", pontuou Aline.
Como denunciar e buscar ajuda
As autoridades e a equipe do CREAS reforçam que a população deve denunciar qualquer suspeita ou ato de violência contra mulheres e crianças. A denúncia pode ser feita de forma 100% anônima, garantindo a segurança do denunciante.
Canais de Atendimento e Denúncia:
Central de Atendimento à Mulher: Disque 180 (Gratuito e Anônimo);
Polícia Militar: Disque 190 (Em casos de emergência ou flagrante);
CREAS de Juara: Atendimento presencial e suporte especializado na nova sede do órgão
Fonte: CREAS JUARA
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