Neste dia 24 de março, data em que se celebra o Dia Mundial de Combate à Tuberculose, as autoridades de saúde de Juara acendem um alerta para uma doença que, embora antiga, continua sendo uma das mais letais e negligenciadas no Brasil. Em entrevista, o médico da AER, Dr. Haroldo Hatanaka, detalhou o cenário da patologia no município e os desafios impostos pela desigualdade social e pela subnotificação.
Cenário em Juara e a "Herança" da Pandemia
Segundo o Dr. Haroldo, os números de 2026 refletem um represamento de casos não diagnosticados durante o período crítico da Covid-19. "Muitas pessoas ficaram sem acompanhamento por medo ou dificuldade de acesso à saúde. O resultado é um tempo maior de contaminação silenciosa", explica.
Os dados locais recentes revelam a gravidade da situação:
Amostras coletadas: 30 amostras de escarro foram analisadas este ano.
Casos confirmados: 09 pacientes diagnosticados em fevereiro e 05 até o momento em março.
O médico ressalta, porém, que existe uma subnotificação preocupante devido à falta de busca ativa — processo em que as equipes de saúde vão a locais de grande circulação, como frigoríficos, para identificar sintomáticos respiratórios.
O Perigo da Reativação e a Coinfecção HIV
Um dos pontos mais sensíveis abordados pelo médico é a característica da bactéria de permanecer "adormecida" no corpo.
"A pessoa pode pegar a bactéria hoje e só desenvolver a doença daqui a 10 anos, caso sua imunidade caia. É uma doença que atinge principalmente a faixa etária produtiva, entre 20 e 34 anos", afirma Dr. Haroldo.
As estatísticas nacionais de 2024 (cerca de 84.300 novos casos) mostram que 11,4% dos pacientes são portadores de HIV. Destes, quase metade não estava em tratamento antirretroviral, o que rebaixa a imunidade e abre as portas para a tuberculose severa.
Transmissão e Sintomas
A tuberculose é transmitida por via aérea (fala, tosse ou espirro). O Dr. Haroldo elenca os principais sinais de alerta para a população:
Tosse persistente (por mais de três semanas);
Febre baixa, geralmente ao final do dia ou à noite;
Desânimo e perda de peso inexplicável;
Suores noturnos.
Fator Social: "Uma Doença da Desigualdade"
A análise médica vai além do consultório. Para Haroldo, a tuberculose — assim como a hanseníase — prospera em ambientes de precariedade. "No Brasil, 66% dos casos atingem a população negra ou parda, que historicamente possui piores condições de moradia e alimentação. Quando várias pessoas dividem o mesmo colchão ou quarto em moradias inadequadas, o ambiente torna-se ideal para a transmissão", pontua.
Tratamento Gratuito
A boa notícia é que a tuberculose tem cura e o tratamento é oferecido integralmente pela rede pública.
Duração: 06 meses (sem interrupções).
Protocolo: Uso de quatro antibióticos nos primeiros dois meses, seguidos por dois antibióticos nos quatro meses finais.
A recomendação é clara: ao apresentar tosse persistente, procure a unidade de saúde mais próxima. O diagnóstico rápido é a única forma de quebrar o ciclo de transmissão e garantir a recuperação total do paciente.
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Fonte: GRUPO AMPLITUDE
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