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Alerta em Juara: Dia Mundial de Combate à Tuberculose reforça a importância do diagnóstico precoce

Um dos pontos mais sensíveis abordados pelo médico é a característica da bactéria de permanecer "adormecida" no corpo.

Escrito por Welliton Medeiros

24 MAR 2026 - 14H17 (Atualizada em 24 MAR 2026 - 14H28)

Neste dia 24 de março, data em que se celebra o Dia Mundial de Combate à Tuberculose, as autoridades de saúde de Juara acendem um alerta para uma doença que, embora antiga, continua sendo uma das mais letais e negligenciadas no Brasil. Em entrevista, o médico da AER, Dr. Haroldo Hatanaka, detalhou o cenário da patologia no município e os desafios impostos pela desigualdade social e pela subnotificação.

Cenário em Juara e a "Herança" da Pandemia

Segundo o Dr. Haroldo, os números de 2026 refletem um represamento de casos não diagnosticados durante o período crítico da Covid-19. "Muitas pessoas ficaram sem acompanhamento por medo ou dificuldade de acesso à saúde. O resultado é um tempo maior de contaminação silenciosa", explica.

Os dados locais recentes revelam a gravidade da situação:

Amostras coletadas: 30 amostras de escarro foram analisadas este ano.

Casos confirmados: 09 pacientes diagnosticados em fevereiro e 05 até o momento em março.

O médico ressalta, porém, que existe uma subnotificação preocupante devido à falta de busca ativa — processo em que as equipes de saúde vão a locais de grande circulação, como frigoríficos, para identificar sintomáticos respiratórios.

O Perigo da Reativação e a Coinfecção HIV

Um dos pontos mais sensíveis abordados pelo médico é a característica da bactéria de permanecer "adormecida" no corpo.

"A pessoa pode pegar a bactéria hoje e só desenvolver a doença daqui a 10 anos, caso sua imunidade caia. É uma doença que atinge principalmente a faixa etária produtiva, entre 20 e 34 anos", afirma Dr. Haroldo.

As estatísticas nacionais de 2024 (cerca de 84.300 novos casos) mostram que 11,4% dos pacientes são portadores de HIV. Destes, quase metade não estava em tratamento antirretroviral, o que rebaixa a imunidade e abre as portas para a tuberculose severa.

Transmissão e Sintomas

A tuberculose é transmitida por via aérea (fala, tosse ou espirro). O Dr. Haroldo elenca os principais sinais de alerta para a população:

Tosse persistente (por mais de três semanas);

Febre baixa, geralmente ao final do dia ou à noite;

Desânimo e perda de peso inexplicável;

Suores noturnos.

Fator Social: "Uma Doença da Desigualdade"

A análise médica vai além do consultório. Para Haroldo, a tuberculose — assim como a hanseníase — prospera em ambientes de precariedade. "No Brasil, 66% dos casos atingem a população negra ou parda, que historicamente possui piores condições de moradia e alimentação. Quando várias pessoas dividem o mesmo colchão ou quarto em moradias inadequadas, o ambiente torna-se ideal para a transmissão", pontua.

Tratamento Gratuito

A boa notícia é que a tuberculose tem cura e o tratamento é oferecido integralmente pela rede pública.

Duração: 06 meses (sem interrupções).

Protocolo: Uso de quatro antibióticos nos primeiros dois meses, seguidos por dois antibióticos nos quatro meses finais.

A recomendação é clara: ao apresentar tosse persistente, procure a unidade de saúde mais próxima. O diagnóstico rápido é a única forma de quebrar o ciclo de transmissão e garantir a recuperação total do paciente.


Fonte: GRUPO AMPLITUDE

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Por Welliton Medeiros, em Saúde

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