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Apesar de desafios externos e logísticos, economia de Mato Grosso segue em crescimento em 2026

Economistas apontam resiliência da atividade econômica mato-grossense apesar das incertezas internacionais e dos gargalos logísticos.

Escrito por Samantha Quinzani

10 FEV 2026 - 16H28

Mesmo diante de desafios no cenário internacional e de gargalos logísticos para o escoamento da produção agrícola, a economia de Mato Grosso deve continuar em expansão em 2026, impulsionada principalmente pelo agronegócio e pelos investimentos em agroindústria. O estado responde por cerca de um terço da safra recorde de grãos registrada no ano passado, o que sustenta o desempenho econômico.

A projeção, no entanto, é de desaceleração no Produto Interno Bruto (PIB), que deve crescer cerca de 2,2% neste ano, segundo a pesquisa mensal Resenha Regional do Banco do Brasil. Em 2025, o PIB estadual avançou 6,4%. Para o economista responsável pelo estudo, Júlio César da Cunha Lopes, essa redução representa uma correção natural após um período de resultados excepcionais no campo.

Segundo ele, o crescimento registrado no ano passado foi impulsionado por uma safra extraordinária de grãos em 2024/2025. Já em 2026, o cenário é de ajuste. Ainda assim, a estimativa aponta um PIB agropecuário de 18,5% no estado, o que demonstra a força do setor e abre espaço para compensações em outras áreas da economia.

Um dos segmentos que devem contribuir para esse equilíbrio é o de energia. De acordo com Lopes, o Brasil vive um momento intenso de transição energética, com reflexos diretos em Mato Grosso. A ampliação do percentual de etanol na gasolina, de 27% para 30%, coloca o estado em posição estratégica, graças à sua capacidade produtiva de biocombustíveis. Esse movimento reforça o processo de diversificação econômica em curso.

Essa diversificação também se reflete no avanço da indústria e dos serviços. A pesquisa indica que a produção de etanol deve se consolidar como referência nacional em biorrefinarias, enquanto a produção agrícola tende a apresentar leve recuo. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam uma queda estimada de 1,8% na safra de grãos em 2026, passando de 346,1 milhões para 339,8 milhões de toneladas.

Mesmo com a defasagem dos dados oficiais — já que as informações mais recentes sobre os PIBs regionais são de 2023 —, o agronegócio segue como o principal sustentáculo da economia estadual. Segundo Lopes, cerca de 40% da atividade econômica de Mato Grosso ocorre diretamente no campo, com forte dependência também da indústria, já que quase metade da produção industrial do estado está ligada ao setor de alimentos e 10% à produção de biocombustíveis.

No cenário internacional, Mato Grosso também mantém papel estratégico. Para o economista-chefe do Banco do Brasil, Marcelo Rebelo, é difícil imaginar a economia global sem a contribuição do estado, especialmente no que diz respeito à segurança alimentar. Com o crescimento populacional e o aumento da demanda por alimentos em regiões como África e Ásia, os grandes produtores, como o Brasil — e, em especial, Mato Grosso —, tendem a ganhar ainda mais relevância.

Já o professor de economia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Fernando Henrique Dias, avalia que o estado vive um momento de pleno emprego, o que ajuda a explicar o desempenho econômico acima da média nacional. Enquanto o Brasil deve crescer entre 2% e 2,5%, Mato Grosso deve superar esse patamar, impulsionado pelo agronegócio e pelos investimentos na cadeia produtiva.

Esse cenário reforça a posição do estado como líder em crescimento econômico no país. Nos últimos dez anos, Mato Grosso registrou uma taxa média de crescimento de 3,7%, contra 0,6% da média nacional. Além disso, apresenta uma das melhores estruturas fiscais do Brasil e avanços importantes no setor energético.

Para os próximos anos, a expectativa é de que a economia mato-grossense se torne ainda mais integrada a outras regiões, o que deve ampliar o crescimento e atrair novos investimentos. A superação dos gargalos logísticos é apontada como um dos principais fatores para manter esse ritmo de expansão e consolidar Mato Grosso como um dos motores da economia brasileira.

Fonte: G1MT

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Por Samantha Quinzani, em Economia

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