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Uso do cartão de crédito para despesas básicas cresce e Mato Grosso acumula R$ 13,2 bilhões em dívidas

Levantamento da Serasa mostra que três em cada dez brasileiros usam o cartão para cobrir gastos essenciais; estado registra mais de 1,5 milhão de inadimplentes.

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Escrito por Samantha Quinzani

24 JUL 2026 - 18H18

O cartão de crédito tem sido cada vez mais utilizado pelos brasileiros para custear despesas essenciais, como alimentação, contas domésticas e outros gastos do dia a dia. Um levantamento da Serasa aponta que três em cada dez consumidores recorrem ao crédito para manter o orçamento, cenário que também se reflete em Mato Grosso, onde a inadimplência já ultrapassa R$ 13,2 bilhões.

De acordo com a primeira edição do Mapa de Crédito da Serasa, o cartão é a modalidade de crédito mais utilizada no país. A pesquisa mostra que 63% dos brasileiros fizeram uso do cartão nos últimos 12 meses, índice superior ao registrado por qualquer outra linha de crédito.

Em Mato Grosso, a situação acompanha a tendência nacional. Dados do Mapa da Inadimplência e Negociação de Dívidas indicam que, em junho de 2026, o estado contabilizou 1.550.733 consumidores inadimplentes, responsáveis por 8.077.587 dívidas em aberto, totalizando R$ 13,2 bilhões. Desse montante, 20,71% correspondem a débitos com bancos e cartões de crédito.

Para a especialista em educação financeira da Serasa, Rafaela Alves, o uso recorrente do cartão para despesas básicas é um indicativo de desequilíbrio financeiro.

“Quando a renda não acompanha o custo de vida, o cartão deixa de ser uma ferramenta de planejamento financeiro e passa a funcionar como uma extensão da renda. Esse comportamento aumenta o risco de inadimplência”, afirma.

Além das compras do dia a dia, o estudo revela que 29% dos consumidores utilizam o cartão para aquisições específicas, enquanto 18% recorrem ao crédito para cobrir despesas emergenciais relacionadas à saúde.

A facilidade de acesso também influencia essa escolha. Entre os entrevistados, 41% apontaram a possibilidade de parcelamento como principal vantagem do cartão, 37% citaram o acesso facilitado ao crédito e 30% destacaram o limite pré-aprovado.

Segundo Rafaela Alves, um dos erros mais comuns é considerar o limite disponível no cartão como parte da renda mensal.

“Muitas pessoas deixam de acompanhar o impacto real das compras no orçamento, pagam apenas o valor mínimo da fatura ou acumulam parcelas sem avaliar o comprometimento da renda nos meses seguintes. Esse comportamento faz com que a dívida cresça rapidamente por causa dos juros do crédito rotativo”, explica.

A especialista alerta que sinais como pagar apenas o valor mínimo da fatura, utilizar o cartão para despesas essenciais por falta de dinheiro e perder o controle dos gastos indicam que o crédito deixou de ser um aliado.

“O cartão deve ser um meio de pagamento planejado. Quando ele passa a ser usado para esticar a renda todos os meses, é hora de rever o orçamento antes que a situação fique mais difícil”, destaca.

Empréstimos são alternativa para reorganizar as finanças

O levantamento também mostra que empréstimos pessoais e consignados costumam ser contratados com o objetivo de reorganizar a vida financeira. Entre os consumidores que recorrem ao empréstimo pessoal, 34% utilizam os recursos para quitar dívidas, enquanto 22% buscam reorganizar o orçamento. No crédito consignado, 35% afirmam contratar a modalidade para colocar as contas em dia, e 20% para pagar débitos em atraso.

De acordo com Rafaela Alves, substituir dívidas com juros elevados por modalidades mais baratas pode ser uma estratégia vantajosa, desde que o consumidor avalie o custo total da operação e evite voltar a utilizar o limite do cartão.

Para evitar o endividamento, a Serasa orienta os consumidores a controlar receitas e despesas, evitar o pagamento mínimo da fatura, priorizar a quitação de dívidas com juros mais altos, negociar débitos antes do vencimento e recorrer a linhas de crédito mais acessíveis apenas quando necessário.

A criação de uma reserva financeira para imprevistos e o acompanhamento frequente do CPF e do Serasa Score também são apontados como medidas importantes para manter a saúde financeira.

Fonte: G1MT

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Por Samantha Quinzani, em Economia

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