Um sistema de monitoramento implantado em rodovias federais tem identificado um comportamento recorrente entre motoristas: a redução da velocidade apenas no momento da passagem pelos radares, seguida pela retomada da aceleração logo em seguida. A prática reforça o alerta para os riscos do excesso de velocidade, uma das principais causas de acidentes nas estradas.
Atualmente, mais de 800 multas por excesso de velocidade são aplicadas, em média, a cada hora nas rodovias federais do país. No entanto, esse número pode ser ainda maior, segundo dados obtidos por meio de um projeto de monitoramento realizado em Minas Gerais.
Em um trecho próximo a Uberaba, dois radares instalados a 11 quilômetros de distância permitiram que a concessionária responsável calculasse o tempo percorrido pelos veículos entre os equipamentos para estimar a velocidade média no trajeto. O levantamento mostrou que muitos condutores respeitam o limite apenas ao passar pelo radar, voltando a acelerar nos quilômetros seguintes.
No primeiro semestre de 2026, cerca de 1,5 mil motoristas foram flagrados acima da velocidade permitida em um dos radares. Entretanto, ao analisar a velocidade média entre os dois pontos, a concessionária identificou um número de infrações 66 vezes superior.
Apesar dos resultados, o Código de Trânsito Brasileiro ainda não permite a aplicação de multas com base na velocidade média do percurso. Atualmente, a autuação só pode ser feita quando o excesso é registrado no instante em que o veículo passa pelo radar. Um projeto de lei que trata da adoção desse modelo de fiscalização segue em discussão na Câmara dos Deputados.
Enquanto a legislação não é alterada, a Polícia Rodoviária Federal realiza ações de conscientização junto aos motoristas. De acordo com a concessionária, a iniciativa educativa contribuiu para zerar o número de mortes e reduzir pela metade os acidentes no trecho monitorado ao longo dos últimos quatro anos.
A tecnologia também começou a ser utilizada em outros locais, como em um trecho de nove quilômetros da Ponte Rio-Niterói. No local, a principal preocupação é o período noturno, quando o fluxo de veículos diminui e o excesso de velocidade tende a aumentar, elevando a gravidade dos acidentes. Apenas no primeiro semestre deste ano, o número de vítimas durante a noite foi três vezes maior.
A expectativa é de que, até o fim de 2026, o sistema seja expandido para outros trechos considerados críticos em diferentes estados. Especialistas defendem que a fiscalização por velocidade média pode contribuir para reduzir acidentes e incentivar o cumprimento dos limites de velocidade ao longo de todo o percurso.
Fonte: G1
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