O deputado federal Juarez Costa (Republicanos-MT) é citado em acordos de colaboração premiada firmados por ex-executivos da Aegea, uma das maiores empresas de saneamento do país, como suposto beneficiário de um esquema de pagamento de propinas que teria movimentado cerca de R$ 30 milhões. As delações, homologadas em 2025 pelo ministro Raul Araújo, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), foram firmadas entre 2020 e 2021 junto ao Ministério Público.
Segundo os relatos, os repasses teriam ocorrido durante o período em que Juarez Costa comandou a Prefeitura de Sinop, entre 2009 e 2016, e se estendido até 2018. Além dos valores em dinheiro, os delatores afirmam que o parlamentar teria recebido um veículo BMW como parte das vantagens indevidas oferecidas pela empresa.
As acusações foram apresentadas por cinco ex-dirigentes da Aegea, que confessaram à Justiça o pagamento de aproximadamente R$ 63 milhões em propinas entre 2010 e 2018, envolvendo contratos em 20 municípios de seis estados brasileiros.
O ex-presidente da companhia, Hamilton Amadeo, declarou que autorizou pagamentos destinados ao então prefeito de Sinop para quitar supostas dívidas de campanha. Ele também afirmou que, em 2014, Juarez Costa teria solicitado a aquisição de uma BMW, pedido que teria sido atendido pela empresa. Em contrapartida, segundo o delator, o gestor municipal teria promovido alterações legislativas e administrativas favoráveis à concessionária.
O ex-diretor financeiro da Aegea, Flávio Crivellari, confirmou a compra do automóvel, afirmando que o veículo custou cerca de R$ 330 mil na época. De acordo com seu depoimento, a negociação foi intermediada pelo consultor Eduardo Valdívia, apontado como operador do esquema.
Outros ex-executivos da companhia também relataram supostos pagamentos irregulares ao então prefeito. Felipe Bueno Marcondes Ferraz afirmou ter operado um esquema de “caixa dois” para Juarez Costa a partir de 2015, com entregas de dinheiro em espécie realizadas em São Paulo, Cuiabá e Balneário Camboriú (SC).
Segundo Ferraz, aproximadamente R$ 1,2 milhão teria sido entregue a intermediários ligados ao político em um ponto de encontro na cidade catarinense. O ex-executivo ainda relatou que empresas prestadoras de serviços à Aegea teriam sido utilizadas para viabilizar os repasses por meio de contratos com valores supostamente superfaturados.
Outro delator, Mário Roberto Amorim Baltar, afirmou ter atuado como interlocutor direto de Juarez Costa em Sinop. Conforme seu depoimento, entre 2013 e 2014 foram solicitados mais de R$ 3 milhões para despesas de campanha. Os valores teriam sido repassados por meio de operações simuladas envolvendo postos de combustíveis indicados pelo então prefeito.
As informações apresentadas nas delações também guardam relação com investigações conduzidas anteriormente pelo Ministério Público de Mato Grosso. Em 2016, Juarez Costa foi alvo de mandado de busca e apreensão durante a Operação Sorrelfa, que apurava supostos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.
Procurado pela reportagem do portal Metrópoles, Juarez Costa não comentou as acusações. A Aegea também evitou se manifestar especificamente sobre os fatos narrados pelos delatores. Em comunicado divulgado neste ano, a empresa afirmou que os episódios investigados pertencem ao passado e destacou medidas adotadas para reforçar sua política de integridade corporativa.
Por meio de sua assessoria, o ministro Raul Araújo informou que está impedido de comentar o caso em razão do sigilo processual.
Fonte: METROPOLE
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