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Mulher assassinada em Guarantã do Norte havia denunciado companheiro diversas vezes; suspeito tinha oito passagens pela polícia

Suspeito está foragido e acumulava histórico de violência doméstica, incluindo cinco medidas protetivas solicitadas pela vítima.

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Escrito por Samantha Quinzani

24 JUN 2026 - 15H49

Gleici Fátima Machado Ritter, de 37 anos, foi assassinada a tiros nesta terça-feira (23/06), em Guarantã do Norte. O principal suspeito do crime é o companheiro dela, Matheus Gonçalvez dos Santos, de 33 anos, que está foragido. O caso é investigado pela Polícia Civil como feminicídio consumado.

Segundo as investigações, Matheus possuía um extenso histórico de violência doméstica contra a vítima. Ao todo, ele acumula oito passagens pela polícia, sendo cinco relacionadas a medidas protetivas solicitadas por Gleici ao longo dos últimos anos.

O casal mantinha um relacionamento há cerca de seis anos e teria se conhecido durante a virada de 2019 para 2020. Juntos, eles tinham um filho de 3 anos, que completará 4 anos em outubro. Após o crime, a criança foi levada pelo pai, apontado como autor do feminicídio.

Além do filho mais novo, Gleici também deixa um filho de 18 anos, fruto de um relacionamento anterior, que foi criado por ela sozinha.

De acordo com a Polícia Civil, as primeiras denúncias contra Matheus foram registradas em 2023, quando a vítima procurou as autoridades para relatar episódios de violência doméstica. Em 2024, novas ocorrências foram registradas por crimes como lesão corporal, injúria e posse irregular de arma de fogo, todas envolvendo o mesmo casal.

Em julho de 2025, Matheus foi preso em flagrante por lesão corporal no contexto de violência doméstica após Gleici acionar as forças de segurança. Na ocasião, a Justiça concedeu medidas protetivas de urgência em favor da vítima.

No entanto, em novembro do mesmo ano, Gleici solicitou a revogação da medida protetiva, o que resultou na liberdade do investigado. Meses depois, ela foi morta.

Diante do caso, a chefe do Gabinete de Enfrentamento à Violência de Gênero contra a Mulher, Mariell Antonini, reforçou a importância de as vítimas de violência doméstica confiarem na rede de proteção e manterem as medidas protetivas.

“É importante que toda mulher compreenda que o rompimento do ciclo da violência nem sempre é um processo simples. Muitas vezes, existem obstáculos relacionados à dependência afetiva, dependência econômica, medo, preconceito e outros fatores que dificultam a tomada de decisão. Por isso, é fundamental buscar apoio, acreditar na rede de proteção e no sistema de Justiça”, destacou.

Mariell também alertou que a violência doméstica costuma seguir um ciclo progressivo e cada vez mais perigoso.

“A violência é cíclica e, muitas vezes, começa com sinais que podem parecer menos graves, mas pode evoluir para situações cada vez mais letais, culminando na morte da vítima. Ameaças e agressões precisam ser compreendidas como sinais de alerta, e a busca por ajuda deve acontecer quanto antes”, afirmou.

A Polícia Civil segue com as diligências para localizar o suspeito e esclarecer todas as circunstâncias do crime.

O sepultamento ocorreu esta manhã no cemitério da cidade.

Fonte: SECOM-MT

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