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Qualidade do sono pode influenciar saúde mental e desempenho de adolescentes, aponta estudo

Pesquisa acompanhou jovens de 10 a 13 anos e identificou o sono como o hábito mais relacionado a sintomas de depressão, ansiedade e dificuldades no ambiente escolar

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Escrito por Samantha Quinzani

16 SET 2026 - 12H17

Dormir bem pode ter um papel importante na saúde mental e no desempenho escolar de adolescentes. É o que indica um estudo publicado na revista científica Psychological Medicine, que analisou a relação entre hábitos de vida, saúde mental e funcionamento acadêmico de jovens.

A pesquisa utilizou dados de participantes com idades entre 10 e 13 anos do estudo Adolescent Brain Cognitive Development (ABCD), que acompanha crianças e adolescentes nos Estados Unidos.

Os pesquisadores avaliaram quatro fatores da rotina dos jovens:

  •  qualidade do sono;
  •  tempo de tela;
  •  prática de atividade física;
  •  alimentação.

A intenção era entender quanto esses hábitos ajudavam a explicar a relação entre sintomas de saúde mental, desempenho acadêmico e dificuldades sociais. Entre os aspectos analisados estavam sintomas de depressão, ansiedade e experiências semelhantes à psicose.

Entre os quatro fatores avaliados, a qualidade do sono foi o que apresentou a associação mais significativa com os indicadores de saúde mental e desenvolvimento escolar.

Segundo os resultados, o sono correspondeu a 18,5% das associações relacionadas à depressão, 36,3% das relacionadas à ansiedade e 8,3% das associações envolvendo experiências semelhantes à psicose.

Para Jason Smucny, primeiro autor do estudo e neurocientista computacional do Departamento de Psiquiatria e Ciências Comportamentais da Universidade da Califórnia, a força dessa relação chamou a atenção dos pesquisadores.

“Esperávamos que o sono fosse importante, mas não imaginávamos que ele se destacaria tão claramente em relação aos outros fatores do estilo de vida, especialmente o tempo de tela”, afirmou.

Sono, saúde mental e desempenho escolar

Apesar dos resultados apontarem uma relação importante entre qualidade do sono e saúde mental, os pesquisadores destacam que o sono não pode ser considerado, sozinho, responsável pelos problemas enfrentados pelos adolescentes.

O tempo de tela apareceu como o segundo fator com maior associação entre os hábitos analisados.

Ele correspondeu a 5% da associação entre ansiedade e funcionamento acadêmico, 6,3% da relação com depressão e 6,2% da associação com experiências semelhantes à psicose.

Já a atividade física e a alimentação apresentaram efeitos menores nas relações analisadas pelo estudo.

Os pesquisadores utilizaram uma análise chamada efeito de mediação. Esse método permite verificar quanto determinados fatores ajudam a explicar associações encontradas entre diferentes características.

Na prática, isso significa que os resultados não permitem afirmar que um adolescente tenha dificuldades na escola simplesmente porque dorme pouco ou passa muito tempo diante de telas. A pesquisa indica, porém, que esses hábitos podem participar da relação entre saúde mental e funcionamento acadêmico.

Adolescência é uma fase de atenção

Os pesquisadores também destacam que a adolescência é uma etapa importante do desenvolvimento, período em que podem surgir ou se intensificar diferentes problemas relacionados à saúde mental.

Nesse contexto, uma rotina de sono inadequada pode estar entre os fatores associados ao bem-estar emocional e ao funcionamento diário dos jovens.

Para Tara Niendam, autora sênior do estudo, professora de Psiquiatria e diretora executiva dos Programas de Psicose Precoce da Universidade da Califórnia, estabelecer hábitos de sono mais saudáveis pode ser uma forma prática de contribuir para o bem-estar.

“Embora não vá resolver todos os desafios de saúde mental, rotinas de sono saudáveis são uma maneira prática de apoiar o bem-estar emocional e o funcionamento cotidiano da criança ou do adolescente”, afirmou.

Hábitos saudáveis não substituem tratamento

Embora o estudo destaque a importância de uma rotina de sono adequada e da atenção ao tempo de tela, os pesquisadores ressaltam que essas medidas não substituem o acompanhamento profissional quando o adolescente já apresenta um problema de saúde mental.

Nesses casos, a avaliação e o tratamento realizados por profissionais especializados continuam sendo fundamentais.

Os resultados da pesquisa também podem servir de base para novos estudos. Os pesquisadores pretendem investigar, por meio de pesquisas de intervenção, se mudanças nesses hábitos realmente podem produzir melhorias no desempenho acadêmico e na convivência social dos adolescentes.

Fonte: G1

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Por Samantha Quinzani, em Educação

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