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EMOCIONANTE: “Atrás do jaleco branco existe sentimento”, diz técnica de enfermagem em relato forte sobre perdas e vocação em Juara

No Dia do Técnico de Enfermagem, celebrado neste mês de maio, as homenagens se voltam para aqueles que dedicam suas vidas ao cuidado ao próximo.

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Escrito por Welliton Medeiros

20 MAI 2026 - 12H18 (Atualizada em 20 MAI 2026 - 12H32)

A Escolha pela Enfermagem

Formada também em Pedagogia, Cleusa não teve dúvidas sobre qual caminho seguir quando a paixão pela saúde falou mais alto. Sua história na área começou de baixo, trabalhando na limpeza de um laboratório, onde o encantamento pelo atendimento humano a fez buscar a qualificação. Mesmo já sendo adulta e com filhos, enfrentou a rotina exaustiva dos estudos noturnos para realizar seu sonho.

"Ser técnica de enfermagem representa muito para mim. É cuidar de vidas, cuidar das pessoas. Por mais que a gente ganhe pouco e não seja valorizada pela nossa classe, eu sou apaixonada pela área da saúde. Eu escolhi a enfermagem", destaca.

Os Desafios do Cotidiano no Setor Público

Questionada sobre os principais obstáculos enfrentados no dia a dia, Cleusa foi direta ao apontar as deficiências estruturais que os profissionais precisam contornar para garantir o atendimento.

Falta de Insumos: A ausência crônica de equipamentos adequados e medicamentos essenciais para os pacientes.

Hostilidade no Atendimento: Pacientes que chegam estressados ou revoltados com a demora e o sistema, descarregando a frustração na equipe de plantão.

Humanização: O esforço diário para transformar momentos de tensão em acolhimento e carinho.

O Momento Mais Impactante: A Dor de Mãe e de Técnica

O ponto mais crucial da entrevista trouxe à tona a maior provação vivida pela profissional. Emocionada, ela relembrou o momento que dividiu sua história entre a técnica treinada para salvar e a mãe impotente diante da morte.

"O momento mais marcante foi a morte do meu filho. Foi ver meu filho morrer nos meus braços. E naquele momento, eu não pude fazer nada. Tentei ser forte como técnica, dando todo o suporte, mas como mãe, eu morri ali. Foi uma dor mútua", relembra Cleusa.

Essa perda trágica, no entanto, transformou-se em uma ferramenta de profunda empatia no seu atendimento atual no Centro de Saúde. Cleusa relata que hoje consegue compreender o desespero de outras mães de uma forma que poucos conseguem. "Às vezes a mãe chega gritando que eu não sei o que é perder um filho, e eu respondo: 'Sim, eu sei. O meu morreu nos meus braços. Por isso estou tentando te acalmando'. E elas compreendem".

O Ser Humano Atrás do Jaleco

A entrevista finaliza com uma reflexão necessária para toda a sociedade sobre a necessidade de enxergar o profissional de saúde além da farda ou do jaleco.

"Atrás do jaleco branco existe sentimento, existe emoção. Às vezes a gente vê um paciente ruim e não pode chorar na frente dele para não desesperá-lo. A gente vai ao banheiro, chora para desabafar e volta. Sentimos a dor do paciente como se fosse nossa", desabafa.

Com 18 anos de experiência dedicados ao setor, Cleusa aproveitou a oportunidade para parabenizar todas as colegas de profissão pelo seu dia e reforçou o compromisso da equipe de Juara em continuar recebendo a população com amor, carinho e respeito no Centro de Saúde.

Fonte: SECRETARIA DE SAUDE

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