Uma grande movimentação de pessoas trabalhando em campanhas eleitorais chamou a atenção da reportagem do Amplitude News, durante uma visita a Parintins, no Amazonas. Filas de pessoas identificadas como cabos eleitorais aglomeradas em ruas e avenidas levantando bandeiras, distribuindo santinhos e participando de adesivaços ao som das músicas dos candidatos. Todo esse cenário levanta uma pergunta inevitável: quanto custa manter uma estrutura desse tamanho durante uma campanha eleitoral?
O flagrante feito pela reportagem mostra uma grande quantidade de pessoas reunidas em pontos de campanha de diferentes candidatos. Em tom de questionamento, nosso repórter conversou com alguns dos participantes e perguntou quanto estariam recebendo pelo trabalho.
As respostas, no entanto, foram evasivas. “Quanto que é a diária?”, perguntou o repórter a uma das pessoas. A resposta foi de que o trabalho seria voluntário.
Em outro momento, uma mulher também foi questionada sobre o pagamento. Novamente, a resposta não revelou valores. A situação chamou ainda mais atenção diante da quantidade de pessoas mobilizadas.
Segundo informações levantadas pela reportagem, cada cabo eleitoral recebe cerca de R$ 500 por quinzena trabalhando uma hora por dia, considerando uma das campanhas apontadas como de menor poder financeiro. A estimativa seria de pelo menos 500 pessoas contratadas para atividades de bandeiraço.
Se esses números forem confirmados, somente considerando 500 pessoas recebendo R$ 500 a cada 15 dias, seriam R$ 250 mil por quinzena destinados exclusivamente a esse tipo de mão de obra. Em um mês, a conta chegaria a aproximadamente R$ 500 mil.
O cálculo, evidentemente, não inclui outras despesas de uma campanha, como produção de material gráfico, santinhos, adesivos, veículos, combustível, estrutura de eventos, publicidade, alimentação e demais custos.
DE ONDE VEM O DINHEIRO?
É justamente aí que surge o principal questionamento levantado pela reportagem.
De onde vem o dinheiro utilizado para manter uma estrutura com centenas de pessoas trabalhando diariamente em uma campanha eleitoral? O dinheiro utilizado é exclusivamente privado? Há recursos provenientes do fundo eleitoral ou do fundo partidário? Quanto cada candidatura efetivamente gasta com cabos eleitorais e outras atividades de rua? São perguntas que precisam ser respondidas com transparência.
Durante a visita à cidade, o repórter percorreu diferentes pontos de Parintins e encontrou estruturas semelhantes ligadas a grupos políticos distintos. Em um dos momentos, as imagens mostram a movimentação existente nas proximidades do estádio onde tradicionalmente ocorre o famoso Festival Folclórico de Parintins.
“Será que o dinheiro dá em árvore aqui por essa região?”, questionou o repórter diante da quantidade de pessoas e da estrutura montada.
É TRABALHO VOLUNTÁRIO OU HÁ PAGAMENTO?
Outro ponto que chama atenção é a dificuldade encontrada para obter informações sobre os valores pagos aos cabos eleitorais. Enquanto algumas pessoas afirmam estar participando voluntariamente, outras evitam responder quando questionadas diretamente sobre uma possível remuneração.
A reportagem, portanto, coloca o questionamento para o eleitor: É uma demonstração espontânea de apoio político ou existe uma grande estrutura remunerada por trás das mobilizações?
A diferença é relevante, principalmente quando se observa a quantidade de pessoas envolvidas e os valores que poderiam estar sendo movimentados.
ELEIÇÃO, EMPREGO OU ESTRUTURA DE CAMPANHA?
A contratação de pessoas para atividades eleitorais pode fazer parte de uma campanha dentro das regras estabelecidas pela legislação, desde que os gastos sejam devidamente registrados e respeitem os limites e as normas eleitorais.
Por isso, o questionamento não é simplesmente sobre a existência de cabos eleitorais, mas sobre a origem dos recursos, os valores efetivamente pagos e a prestação de contas dessas despesas.
Quando centenas de pessoas são mobilizadas para distribuir material, carregar bandeiras, participar de adesivaços e acompanhar candidatos, a estrutura financeira necessária pode ser significativa.
E é justamente essa dimensão que chamou a atenção do repórter durante sua passagem por Parintins.
A PERGUNTA FICA PARA O ELEITOR
A reportagem não pretende afirmar que os valores mencionados ou a quantidade de trabalhadores estejam irregulares, mas levantar um debate sobre a dimensão financeira das campanhas eleitorais.
Quanto custa uma eleição? Quem paga essa conta? Quanto dinheiro é movimentado para colocar centenas de pessoas nas ruas? E quanto desse dinheiro é público?
São questões que merecem ser acompanhadas pelos eleitores e, principalmente, verificadas nas prestações de contas oficiais das candidaturas. Enquanto isso, as imagens registradas em Parintins mostram uma verdadeira multidão mobilizada em torno das campanhas.
E fica a pergunta feita: “Será que está sobrando tanto dinheiro assim?”
1/8








Feijoada do Bem reúne comunidade em Juína em prol do Hospital do Câncer
PM apreende armas de fogo após denúncia de agressão contra mulher em Juína
Força Tática conduz quatro suspeitos após ameaças e apreensão de drogas em Juína
Boleto
Reportar erro!
Comunique-nos sobre qualquer erro de digitação, língua portuguesa, ou de uma informação equivocada que você possa ter encontrado nesta página:
Os comentários e avaliações são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site.