Segundo o coordenador do Observatório de Mato Grosso, Leonardo Zardo, acompanhar esses cenários é fundamental para que a indústria possa antecipar riscos e se preparar para minimizar seus impactos. “Os eventos climáticos extremos deixaram de ser uma possibilidade distante e passaram a fazer parte do planejamento estratégico das empresas. Nosso papel é transformar dados em inteligência para que a indústria possa tomar decisões mais assertivas, reduzir riscos e aumentar sua capacidade de adaptação diante de cenários cada vez mais desafiadores.”
O estudo destaca que a agroindústria, um dos principais segmentos da economia mato-grossense, está entre os setores mais sensíveis aos efeitos do fenômeno. A redução da produtividade no campo pode diminuir a oferta de matérias-primas, aumentar a volatilidade dos mercados agrícolas e pressionar os custos de produção das indústrias.
Além dos impactos no campo, uma eventual quebra de safra pode elevar os preços dos alimentos, enquanto a redução dos níveis dos reservatórios tende a ampliar o uso de usinas termelétricas, aumentando os custos da energia elétrica para empresas e consumidores. O cenário também pode afetar a logística, elevando os custos operacionais e comprometendo a competitividade da indústria.
Para Mato Grosso e os demais estados do Centro-Oeste, a previsão é de chuvas irregulares, ocorrência de veranicos, temperaturas acima da média e maior risco de déficit hídrico ao longo do inverno de 2026. O estudo explica que o El Niño é provocado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Quando esse aquecimento ultrapassa 2°C acima da média histórica por um período prolongado, o fenômeno passa a ser classificado como Super El Niño, intensificando seus efeitos sobre o clima global. O último episódio dessa magnitude ocorreu entre 2015 e 2016.
O Observatório de Mato Grosso foi avaliado com mais de 71% de maturidade técnica, classificado como média-alta, na avaliação da Rede de Observatórios do Sistema Indústria (ROSI). “O resultado demonstra a evolução do Observatório como uma ferramenta estratégica para o setor produtivo. Hoje entregamos estudos, indicadores e análises que ajudam empresários e lideranças a antecipar tendências e tomar decisões baseadas em evidências, fortalecendo a competitividade da indústria mato-grossense”, destaca Leonardo Zardo.
A evolução representa um salto em relação ao diagnóstico inicial, realizado em 2023, quando o Observatório registrava índice de maturidade de 34,8%. Em 2025, o percentual subiu para 61,1% e, na avaliação final de 2026, atingiu 71,25%, refletindo avanços nas áreas de orientação estratégica, gestão, infraestrutura, equipe, ativos de conhecimento e portfólio.
Fonte: Só Noticias
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