Escutar sem julgar. Foi essa a orientação que se repetiu ao longo da manhã desta sexta-feira (4), às margens do Lago Geraldão, onde quase 80 pessoas participaram da roda de conversa que abriu o Setembro Amarelo em Juara.
Sentadas, atendas, elas ouviram profissionais de saúde mental falarem sobre depressão, ansiedade e os caminhos para pedir ajuda. Uma faixa estendida ao lado do grupo resumia a proposta: prevenir o suicídio é acolher, respeitar e criar rede de apoio.
O encontro foi organizado pela equipe do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) de Juara, unidade vinculada à Secretaria de Saúde, com apoio das secretarias de Esporte e de Assistência Social e Trabalho, esta última por meio do CREAS e do CRAS. O evento era aberto a toda a população, mas a presença mais marcante foi a dos usuários que já fazem acompanhamento na unidade.
A programação começou com um café da manhã servido no local, antes o início. Em seguida, os participantes formaram a roda de conversa conduzida pela equipe do CAPS. Conversar sobre saúde mental em um espaço aberto, com café na mão e sem a formalidade de um consultório, facilita a fala de quem ainda tem dificuldade de tocar no assunto.
"O suicídio é uma consequência, não a causa"
O médico psiquiatra do CAPS, Antônio de Pádua, conduziu as orientações. Ele explicou aos participantes que o comportamento suicida é o desfecho de um sofrimento anterior — e que esse sofrimento tem tratamento.
"Ao primeiro sinal de sintomas depressivos, ansiosos, ou até mesmo de doenças mais graves, como as psicoses, procurar o serviço de saúde mental, para que possa ser elucidado o problema e ter a ajuda necessária", orientou.
Segundo o médico, o encontro serve para reforçar publicamente algo que a unidade faz diariamente. "É uma questão de saúde pública", afirmou.
Acolhimento, escuta e ausência de julgamento
Enfermeira e coordenadora do CAPS, Mariele explicou por que a ação foi aberta a toda a comunidade, e não apenas aos pacientes da unidade.
"O nosso trabalho enquanto saúde mental é justamente trabalhar o acolhimento, a escuta e as terapias. Esse é o nosso papel no CAPS: prevenção, acolhimento, escuta, sem julgamento", disse.
O Corpo de Bombeiros também esteve no encontro. Comandante do 3º Pelotão Independente de Bombeiros Militar de Juara, o 2º tenente Maziero explicou que a corporação lida de perto com o tema no atendimento diário de ocorrências.
"A gente vem falar da prevenção ao suicídio. Através de uma conversa, através de uma orientação, você acaba mudando o pensamento das pessoas", afirmou.
O encontro no Lago Geraldão é o primeiro de uma série de atividades que o CAPS realiza ao longo de setembro. A unidade, porém, mantém esse trabalho o ano inteiro, a concentração de ações no mês serve para dar mais visibilidade ao tema.
Quem enfrenta sofrimento emocional pode procurar diretamente o CAPS de Juara para atendimento.
Fonte: Prefeitura de Juara
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