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Mato Grosso lidera registros de focos de calor no Brasil em 2026

Estado já contabiliza 4.553 focos de calor neste ano, segundo o INPE. Paranatinga concentra o maior número de ocorrências, enquanto Nova Santa Helena registra um dos incêndios de maior extensão do país.

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Escrito por Samantha Quinzani

14 AGO 2026 - 12H17

Mato Grosso é o estado com o maior número de focos de calor registrados no Brasil em 2026. Entre incêndios ativos e áreas em monitoramento, já são 4.553 ocorrências no estado, o que representa 15,4% de todos os registros feitos no país neste ano, conforme dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Somente nas últimas 48 horas, o satélite de referência AQUA identificou 227 focos de calor em Mato Grosso durante o período da tarde. Desde o começo de agosto, foram contabilizados 809 registros, colocando o estado à frente do Pará, que aparece em seguida, com 580 focos.

Em Cuiabá, houve redução nas ocorrências em relação ao mesmo período de 2025. O número caiu de oito para quatro focos, uma queda de 50%.

Entre os municípios mato-grossenses, Paranatinga, a 375 quilômetros de Cuiabá, apresenta a maior concentração de focos de calor, com 7,7% dos registros estaduais. Na sequência aparecem Marcelândia, com 5,4%, Nova Maringá, com 4,4%, e Tangará da Serra, também com 4,4%.

Os dados do INPE também apontam Paranatinga e Nova Santa Helena, localizada a cerca de 600 quilômetros da capital, entre as regiões que enfrentam ocorrências de maior duração e extensão.

As duas áreas possuem características ambientais diferentes. Paranatinga está localizada no Centro-Leste de Mato Grosso, em uma região de Cerrado. Já Nova Santa Helena fica no Norte do estado, em uma área de transição para a Floresta Amazônica.

Em Paranatinga, um dos incêndios já se estende por 44 dias. Em Nova Santa Helena, uma ocorrência na região amazônica atingiu quase 15 mil hectares em dez dias. O incêndio é considerado atualmente o segundo maior do país em extensão de área atingida pelo fogo, ficando atrás apenas de um registro em Lagoa da Confusão, no Tocantins.

Outro incêndio de grandes proporções ocorre em Barra do Garças. Pouco mais de 13 mil hectares já foram atingidos após quatro dias de ocorrência.

Em Nova Santa Helena, equipes do Corpo de Bombeiros atuam desde quinta-feira (6) no combate às chamas. Uma aeronave também é utilizada na operação. A fumaça provocada pelo incêndio chegou a municípios próximos, entre eles Cláudia e Sinop.

Período de estiagem aumenta risco de incêndios

Com o fim das chuvas, Mato Grosso entra no período considerado mais crítico para a ocorrência de incêndios florestais. Agosto e setembro costumam registrar os níveis mais severos de estiagem no estado.

Neste ano, a umidade relativa do ar já ficou abaixo dos 30% em algumas regiões, enquanto a fumaça dos incêndios passou a ser percebida em diferentes municípios.

De acordo com o coronel da reserva do Corpo de Bombeiros, Aluisio Metelo, a combinação de baixa umidade, estiagem, temperaturas elevadas e vento cria condições favoráveis para que o fogo se espalhe com maior rapidez.

“Com o avanço da estiagem, diminuem as chuvas e a umidade dos combustíveis vegetais, gramíneas, folhas, galhos e outras biomassas tornam-se mais disponíveis para a combustão. Quando isso se combina com altas temperaturas e vento, aumenta significativamente o potencial de propagação e de intensidade do fogo”, explicou.

O coronel também aponta que as características naturais de biomas como o Cerrado podem contribuir para a ocorrência e propagação das queimadas. No entanto, segundo ele, a ação humana ainda é um dos principais fatores relacionados ao início dos focos.

“A influência humana é determinante. Cerca de 90% das ignições são associadas a ações humanas. O fogo pode começar por uso inadequado do fogo, queimadas que escapam do controle, ocorrências em margens de rodovias, equipamentos e máquinas, redes elétricas, atividades diversas e também por ações criminosas. A responsabilidade por um incêndio não deve ser presumida apenas pelo local onde o fogo está queimando; determinar causa exige investigação”, destacou.

Em Mato Grosso, o período proibitivo para o uso do fogo começou em 1º de julho e segue até 30 de novembro. O desrespeito à medida pode ser considerado crime ambiental e resultar em multas e outras penalidades previstas na legislação.

Fonte: G1MT

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Por Samantha Quinzani, em Saúde

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