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Exame toxicológico na CNH: quais drogas dão positivo e como funciona a detecção

Medicamentos podem dar positivo, como por exemplo: o mazindol, um emagrecedor, com efeito estimulante. Mesmo com prescrição médica, a substância pode levar à reprovação.

Escrito por Samantha Quinzani

16 JAN 2026 - 18H29

A exigência do exame toxicológico para a emissão da primeira Carteira Nacional de Habilitação (CNH) nas categorias A e B foi aprovada pelo Congresso Nacional em dezembro de 2025. Com a mudança, quem pretende obter a habilitação precisará apresentar resultado negativo em um teste capaz de identificar o uso de drogas nos últimos meses.

Com a ampliação da obrigatoriedade, cresce a atenção sobre quais substâncias podem levar à reprovação. Dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) mostram que, entre 2021 e 2025, a cocaína foi a droga mais detectada nos exames realizados em motoristas das categorias C, D e E. Especialistas ressaltam, porém, que um único uso pode gerar diversos metabólitos identificáveis, o que explica a alta incidência da substância nos testes.

. O que reprova no exame toxicológico:

O exame é organizado por classes de substâncias. Caso qualquer composto pertencente a essas classes seja detectado dentro da janela de análise, o resultado é considerado positivo.

. Principais classes e substâncias analisadas:

. Anfetaminas: rebite, ecstasy (MDMA) e bolinha

. Canabinoides: maconha, haxixe e skunk

. Opiáceos e opioides: morfina, heroína, ópio bruto e oxicodona

. Cocaína: cocaína, crack e bazuca

. Outros: mazindol (medicamento para emagrecimento)

. Como o exame é feito:

O exame toxicológico de larga janela utiliza amostras de cabelo, pelos ou unhas, capazes de registrar o consumo de substâncias psicoativas em um período retrospectivo mínimo de 90 dias, podendo chegar a 180 dias.

O processo envolve coleta em postos credenciados, análise laboratorial e emissão de laudo com rastreabilidade. A confiabilidade é assegurada por normas técnicas, cadeia de custódia e procedimentos que evitam contaminação ou adulteração da amostra.

Segundo a médica Aryadyne Bueno, que atua em laboratórios de exames toxicológicos, cabelos e unhas funcionam como “arquivos biológicos”, permitindo a detecção do uso de drogas semanas ou meses após o consumo, com maior precisão do que exames de sangue ou urina.

. Etapas do exame:

1. Agendamento em laboratório credenciado

2. Coleta da amostra biológica

3. Envio ao laboratório

4. Análise técnica

5. Emissão do laudo

. Substâncias mais detectadas (2021–2025):

. Cocaína: 462.643 registros (87%)

. Opiáceos: 37.797 (7%)

. Anfetaminas: 21.938 (4%)

. Maconha: 10.525 (2%)

A predominância da cocaína está relacionada à sua metabolização. Após o consumo, a droga se transforma em metabólitos como benzoilecgonina, norcocaína e cocaetileno, que permanecem depositados nos fios por longos períodos.

. Dúvidas frequentes:

. Usei maconha há dois meses. Posso reprovar?

Sim. O exame detecta canabinoides por, no mínimo, 90 dias.

. Usei cocaína ocasionalmente. Aparece?

Sim. O teste identifica a presença da substância, independentemente da quantidade ou frequência.

. O exame detecta álcool?

Não. O álcool não é pesquisado no exame toxicológico da CNH.

. Medicamentos podem dar positivo?

O principal é o mazindol, um emagrecedor, com efeito estimulante. Mesmo com prescrição médica, a substância pode levar à reprovação.

. Mitos sobre o exame

❌ Raspar o cabelo não impede o exame, pois pelos e unhas podem ser usados.

❌ Urina e sangue não são utilizados.

❌ Água, chás ou dietas não “limpam” o organismo.

❌ Medicamentos comuns não são analisados, com exceção do mazindol.

. Impacto da nova exigência

A obrigatoriedade foi estabelecida pelo Projeto de Lei nº 15.153/2025. Antes, o exame era exigido apenas para as categorias C, D e E. A estimativa é que a nova regra gere entre 1,3 milhão e 2 milhões de exames adicionais em 2026.

. Onde fazer o exame

O exame deve ser realizado em laboratórios credenciados pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). A legislação também autoriza postos de coleta em clínicas de aptidão física e mental.

A validade do exame é de 90 dias a partir da coleta. O custo varia entre R$ 110 e R$ 250, com prazo médio de até 10 dias úteis para a liberação do resultado.

Fonte: G1

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Por Samantha Quinzani, em Saúde

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