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Prints de grupo de WhatsApp de policiais indicam tortura e abuso sexual contra detentas em MT

Polícia Civil diz que aparelho funcional foi furtado e que conversas foram manipuladas.

Escrito por Samantha Quinzani

06 FEV 2026 - 18H18

Mensagens vazadas de um celular funcional da Delegacia da Polícia Civil de Sorriso, em Mato Grosso, levantam suspeitas de tortura, abuso sexual contra detentas e outras práticas ilegais cometidas por policiais da unidade. As conversas ocorreram em dezembro e vieram à tona por meio de prints compartilhados em grupos de WhatsApp.

O portal de notícias teve acesso a mensagens e áudios extraídos de um aparelho oficial da Polícia Civil. O conteúdo revela a existência de um grupo chamado “DHPP/Assuntos Oficiais”, referência à Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa. Em uma das mensagens, datada de 6 de novembro, policiais comentam sobre uma detenta de forma ofensiva e sugerem violência sexual. Uma das participantes reage com surpresa ao conteúdo da conversa.



A Polícia Civil informou que o celular de onde partiram os vazamentos havia sido furtado em outubro do ano passado. À época, o delegado titular da unidade, Bruno França, afirmou que partes das mensagens teriam sido apagadas ou editadas para prejudicar a corporação e sugerir condutas ilegais.

No entanto, o portal de notícias submeteu os prints à análise do Foto Forensics, ferramenta que identifica possíveis manipulações em imagens, e o resultado indicou que não houve adulteração no conteúdo das mensagens.

No mesmo período em que as conversas vazaram, uma mulher que estava presa na delegacia relatou ao seu advogado ter sido estuprada por um investigador da unidade. O servidor foi indiciado por estupro e abuso de autoridade nesta sexta-feira (6). O caso motivou a mobilização de um grupo de advogados criminalistas, que passou a analisar os prints divulgados.



  

Em nota, a Polícia Civil afirmou que vai apurar a autenticidade das mensagens, o contexto em que foram publicadas e eventuais desvios de conduta dos envolvidos. A instituição destacou ainda que, se verdadeiras, as mensagens não teriam relação direta com o caso de estupro ocorrido em dezembro de 2025.

Ainda em dezembro, o grupo de advogados formalizou uma denúncia contra a delegacia com base no conteúdo vazado. A Corregedoria-Geral da Polícia Civil confirmou que recebeu a denúncia nesta quinta-feira (5). A OAB-MT e o Tribunal de Defesa das Prerrogativas (TDP) informaram que enviaram um ofício ao corregedor-geral solicitando providências e aguardam o andamento das investigações.

O Ministério Público afirmou que não recebeu denúncia formal sobre o caso, apesar de ter sido citado no encaminhamento feito pelos advogados.

Suspeitas de outras irregularidades

Além das mensagens sobre abusos, outras conversas indicam possíveis práticas ilegais dentro da delegacia, segundo uma fonte ouvida pela reportagem. Entre as expressões citadas estão:

  • “Meter flagrantão no pelo”: forjar prisão em flagrante.
  • Orientação para agredir presos apenas após a segunda quinzena de março, quando o médico legista, supostamente, não estaria de plantão.
  • “O celular dele tá com o B instalado”: indica a instalação ilegal de aplicativo espião no celular de um investigado.
  • Rodar uma arma pelos confrontos”: sugere que a mesma arma estaria sendo usada para forjar confrontos policiais, que resultariam na morte de suspeitos.

Denúncias anteriores na mesma delegacia

Outras denúncias envolvendo a mesma equipe já haviam sido formalizadas no Ministério Público em 2024. Em janeiro daquele ano, uma jovem relatou ter sido agredida por policiais na porta de casa e levada à força para um matagal. Segundo a denúncia, durante o trajeto, os agentes teriam feito ameaças de violência sexual.

No local, ela teria sido agredida com um pedaço de madeira enquanto era questionada sobre a autoria de um homicídio na cidade. Após citar nomes de possíveis envolvidos, os policiais a levaram até a delegacia, onde familiares já a aguardavam.

Apesar da gravidade do relato, o caso segue sem andamento e não houve avanço nas investigações.


















Fonte: G1MT

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Por Samantha Quinzani, em Polícia

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