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Policial penal e mais 5 são condenados por esquema de tráfico dentro de presídio em MT

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Escrito por Adriano Penteado

28 JUL 2026 - 08H38

A Justiça de Mato Grosso condenou, neste domingo (26), um policial penal e outros cinco envolvidos por integrarem um esquema de tráfico de drogas, corrupção e outros crimes dentro do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Pontes e Lacerda, a 444 km de Cuiabá. A sentença, assinada pela juíza Djéssica Giseli Küntzer, da 3ª Vara da comarca, concluiu que o grupo atuava de forma organizada para introduzir drogas, celulares e outros ilícitos na unidade prisional.

Foram condenados o policial penal Flávio Zanatta, além de Karen Carolina Marques da Silva, Igor da Silva de Carvalho, Rian Rodrigues de Souza Silva, Mateus Marangoni Silva e Rafael Maciel Ferreira Júnior. Conforme a decisão, Flávio aproveitava o cargo para facilitar a entrada de drogas e aparelhos celulares no presídio, recebendo pagamentos pelos serviços ilegais e comercializando até mesmo a senha da rede Wi-Fi da unidade.

A investigação teve início após uma tentativa de entrada de um colchão no CDP, em maio de 2024. Durante a vistoria, policiais penais desconfiaram do objeto e decidiram submetê-lo ao aparelho de raio-X. No interior do colchão foram encontrados 422 gramas de maconha, escondidos entre a espuma.

Segundo a denúncia do Ministério Público, o colchão havia sido comprado por Karen Carolina Marques da Silva, que o recebeu em casa antes de ser levado por terceiros ainda não identificados. Depois, o objeto retornou à residência dela e foi encaminhado ao presídio por meio de um motorista de aplicativo. O destinatário informado era o preso Rian Rodrigues de Souza Silva, mas a investigação concluiu que o verdadeiro receptor da droga seria Igor da Silva de Carvalho e que Rian emprestaria o nome para despistar a fiscalização.

As apurações também apontaram que Rafael Maciel Ferreira Júnior e Mateus Marangoni Silva participavam da organização da entrada do entorpecente e da divisão da droga dentro da unidade prisional. Conforme os depoimentos reunidos no processo, Rian receberia parte da maconha como pagamento por permitir que seu nome fosse utilizado na entrega.

Esquema dentro do presídio

Ao longo da investigação, presos e testemunhas relataram que Flávio Zanatta atuava havia meses facilitando a entrada de drogas e celulares no CDP. Segundo os depoimentos considerados válidos pela Justiça, o policial penal cobrava cerca de R$ 5 mil para fazer os chamados “corres”, levando entorpecentes e aparelhos eletrônicos para os detentos.

Ainda de acordo com as testemunhas, ele também vendia a senha da rede Wi-Fi do presídio por aproximadamente R$ 1 mil e utilizava pontos sem monitoramento da unidade para deixar os materiais, que depois eram recolhidos por presos responsáveis pela distribuição.

A sentença também acolheu a acusação de que o servidor tentou interferir nas investigações. Conforme o processo, ele teria oferecido R$ 10 mil a um preso para que alterasse o depoimento e atribuísse os crimes a outros policiais penais. Diante da recusa, passou a ameaçar a testemunha de morte e incentivou outros detentos a intimidá-la.

Condenações

Na decisão, a magistrada afirmou que as provas produzidas durante a instrução processual — incluindo laudos periciais, documentos, apreensões e depoimentos prestados em juízo — comprovaram a atuação dos seis acusados no esquema criminoso. A sentença destaca que os relatos apresentados pelas testemunhas foram coerentes entre si e confirmaram a dinâmica descrita pelo Ministério Público.

Flávio Zanatta foi condenado pelos crimes de tráfico de drogas, associação criminosa, corrupção passiva, facilitação da entrada de celulares em estabelecimento prisional, violação de sigilo funcional, omissão no dever de impedir o acesso de presos a celulares e coação no curso do processo. Já os demais réus foram condenados de acordo com a participação individual reconhecida pela Justiça pelos crimes de tráfico de drogas, associação criminosa e, em alguns casos, coação no curso do processo.

A sentença foi assinada neste domingo (26) e ainda cabe recurso.


Fonte: Primeira Página

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