A empresária e advogada Thatiana Rabelo Mesquita Theodoro, presa preventivamente durante a Operação Bóreas, afirmou que se sentiu como uma “presidiária federal” ao ser conduzida para o exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML), após ser presa pela Polícia Federal, em Cuiabá.
A declaração foi dada durante audiência de custódia realizada por videoconferência na noite de terça-feira (25). Segundo Thatiana, ela não sofreu violência física durante o cumprimento dos mandados, mas considerou a forma da condução incompatível com a vida que levava até então.
“Eu fui levada como se fosse uma presidiária federal até o IML. Eu estou me sentindo, assim, no mundo totalmente fora da minha realidade”, afirmou.
A advogada também destacou que possui residência fixa em Cuiabá há cerca de 20 anos, mantém um comércio na cidade e tem uma rotina pública.
“As redes sociais são abertas. Eu tenho horário de chegar no trabalho, tenho um comércio que é público”, disse.
Durante a audiência, a defesa também apresentou a situação da filha de Thatiana, de 9 anos, como argumento para pedir a revogação da prisão ou a substituição por prisão domiciliar.
A advogada explicou que a menina mora com ela, embora os pais não tenham formalizado judicialmente a guarda após o divórcio. Segundo Thatiana, os dois mantêm uma relação amigável e chegaram a um consenso sobre a criação da filha.
“A gente se dá super bem. Foi um divórcio amigável e a gente nunca formalizou que a guarda seria minha”, afirmou.
Ela explicou que o pai fica com a menina quando não está viajando e que, após sua prisão, a criança passou a ficar com ele.
Prisão mantida
A prisão preventiva foi mantida após a audiência de custódia. Por ser advogada, Thatiana permanecerá na Superintendência Regional da Polícia Federal em Mato Grosso, em razão das prerrogativas profissionais, diante da ausência de sala de Estado Maior.
O processo foi encaminhado à 4ª Vara Federal Criminal de Palmas, no Tocantins, responsável pela expedição dos mandados.
A defesa, feita pelo advogado Fernando Faria, pediu a revogação da prisão preventiva ou a aplicação de medidas cautelares.
R$ 84,8 mil são apreendidos
Durante o cumprimento dos mandados, a Polícia Federal apreendeu R$ 84,8 mil em dinheiro, um iPhone e um Volkswagen T-Cross branco.
Do total em dinheiro, R$ 75 mil estavam em uma gaveta de um móvel na sala do apartamento. Outros R$ 9,8 mil foram encontrados na mesa de cabeceira do quarto de Thatiana. Conforme o auto de busca, ela afirmou que essa segunda quantia havia sido recebida como presente de noivado.
A defesa também questiona a forma como o celular foi recolhido. Segundo Fernando Faria, os agentes teriam obrigado Thatiana a desbloquear o aparelho e um delegado teria acessado o conteúdo antes da formalização da apreensão.
Irmão foi preso com 475 kg de cocaína
Durante a audiência, Thatiana afirmou acreditar que a prisão pode ter relação com o irmão, Márcio Rabello Mesquita Theodoro, que já foi preso em Tocantins.
“Eu tenho um irmão que está preso fora. Imagino que deve ser algo ligado a ele, por conta do mandado lá de Tocantins”, declarou.
Márcio foi preso em flagrante em fevereiro de 2025 enquanto pilotava um avião Cessna 210M, prefixo PS-PIX, que pousou irregularmente em uma pista na zona rural de Caseara, no Tocantins, a cerca de 850 quilômetros de Cuiabá.
A aeronave foi abordada por policiais da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO) de Goiás e Tocantins e da Polícia Militar de Goiás. No interior foram encontrados aproximadamente 475 quilos de cloridrato de cocaína e pasta base, além de cerca de 787 gramas de maconha e haxixe.
Operação Bóreas
A Operação Bóreas investiga uma organização criminosa suspeita de estruturar voos, disponibilizar aeronaves e utilizar pistas clandestinas para transportar grandes carregamentos de cocaína e armas da Bolívia e do Peru para o Brasil.
Foram cumpridos três mandados de prisão preventiva e três de busca e apreensão em Mato Grosso e Tocantins. A Justiça também determinou a apreensão de aeronaves e o bloqueio e sequestro de bens e valores.
A defesa de Thatiana sustenta que não há elementos suficientes para vinculá-la ao grupo investigado e afirma que não existe relação entre a empresa administrada por ela e o esquema.
Thatiana é sócia-administradora de uma empresa ligada ao Tatu Bola Bar, na região da Praça Popular, em Cuiabá. Até o momento, não há informação oficial de que o estabelecimento seja investigado ou tenha sido alvo da operação.
Fonte: Muvuca Popular
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