Um grupo suspeito de movimentar mais de R$ 28 milhões por meio de plataformas de apostas não autorizadas é investigado pela Polícia Civil de Mato Grosso. A operação foi deflagrada nesta terça-feira (18) e tem entre os alvos a influenciadora digital Natiele Aparecida, de Sorriso (MT), que já foi capa de uma revista masculina.
Ao todo, 10 pessoas e oito empresas são investigadas. As medidas judiciais são cumpridas em Sorriso, além de São Paulo e São Bernardo do Campo.
Segundo a investigação, a movimentação financeira teria ocorrido entre 2023 e 2025. Entre os crimes apurados estão exploração de jogos de azar, captação irregular de apostas, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e organização criminosa.
A operação conta com 56 ordens judiciais, entre mandados de busca e apreensão, bloqueio de valores e de contas em redes sociais, sequestro de bens e quebra de sigilo telemático. A Justiça também determinou o bloqueio de mais de R$ 21,4 milhões em contas bancárias e a apreensão de passaportes.
Influenciadora é investigada
Conforme a Polícia Civil, Natiele utilizaria duas contas nas redes sociais para divulgar plataformas de jogos de azar que não possuem autorização para funcionar. A investigação também identificou um grupo no WhatsApp administrado por ela e outra investigada, utilizado para compartilhar links e orientações relacionados às apostas.
Natiele foi capa da Revista Sexy em 2024 e mantém nas redes sociais conteúdos relacionados a viagens e à rotina pessoal.
Ainda de acordo com a investigação, parte do dinheiro movimentado pelas plataformas teria passado por empresas ligadas ao setor de apostas e, posteriormente, sido repassada a familiares e colaboradores da influenciadora.
Entre as empresas mencionadas na apuração estão Cash Pay Meios de Pagamento Ltda., All Bet Entretenimento Ltda., Bytech Ltda. e HKP Pay Pagamentos.
A Polícia Civil também apura a suspeita de que algumas empresas tenham sido abertas ou utilizadas com o objetivo de dificultar o rastreamento da origem dos recursos. Os investigadores identificaram ainda indícios de possível simulação societária envolvendo empresas do segmento de beleza.
Possível ligação com operação da Polícia Federal
Dois dos alvos da operação possuem endereços no estado de São Paulo. Segundo a Polícia Civil de Mato Grosso, a investigação também busca esclarecer uma possível relação deles com a Operação Narco Fluxo, deflagrada pela Polícia Federal em abril deste ano.
Uma empresa do setor financeiro que já era investigada pela Polícia Federal também teria sido alvo das medidas cumpridas nesta terça-feira em São Paulo, conforme a apuração da Polícia Civil.
A empresa e o proprietário são alvos de busca e apreensão, sequestro de bens e valores, além da apreensão de passaporte.
As investigações continuam com o objetivo de identificar a participação de cada suspeito, além de esclarecer a origem e o destino dos mais de R$ 28 milhões que teriam sido movimentados pelo grupo.
Fonte: G1MT
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