Uma fila de carretas carregadas com soja de Mato Grosso chegou a cerca de 25 quilômetros na segunda-feira (23), no chamado Arco Norte, rota que dá acesso ao Porto de Miritituba, no Pará.
Motoristas relatam demora excessiva para a triagem e reclamam da falta de estrutura logística. Enquanto isso, representantes do setor agropecuário defendem mudanças, principalmente no planejamento de armazenamento dos grãos para reduzir o impacto durante o pico da safra.
A previsão para este ano é de mais uma safra recorde no país, estimada em 353 milhões de toneladas de grãos. No entanto, além dos gargalos logísticos, os produtores enfrentam outro desafio: o clima.
O excesso de chuvas em Mato Grosso tem atrasado a colheita da safra 2025/2026 de soja, dificultando o acesso das máquinas às lavouras e provocando perdas de peso e qualidade dos grãos por causa da umidade elevada no campo.
O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso, Vilmondes Tomain, afirmou que os produtores enfrentam dificuldades tanto na colheita quanto no escoamento da produção já comercializada.
Segundo ele, a situação nas filas para embarque não pode continuar. Para o dirigente, é preciso garantir melhores condições aos caminhoneiros e produtores que dependem da estrutura para levar os grãos até o porto.
Uma das soluções apontadas é o investimento em novos armazéns no estado, como forma de aliviar o fluxo durante o período de maior volume. Para ele, o planejamento precisa envolver armazenamento, rodovias e estrutura portuária.
Atraso na colheita
Até o momento, cerca de 39,61% da área prevista de soja já foi colhida no estado. Já o plantio do milho alcançou pouco mais de 28% da área estimada, mas a tendência é de desaceleração nas próximas semanas devido ao atraso provocado pelas chuvas.
De acordo com a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso, o acumulado de chuvas varia entre 90 e 150 milímetros em diversas regiões produtoras.
A entidade também alerta para o aumento da pressão de pragas e doenças nas lavouras de ciclo mais tardio, como percevejo, mosca-branca e ferrugem asiática, o que pode comprometer a produtividade, especialmente nas áreas colhidas no fim da janela ideal.
Fonte: G1MT
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