Sorriso, conhecida como a “capital do agro”, deixou de ocupar o primeiro lugar entre os municípios brasileiros com maior valor de produção agrícola. Após seis anos na liderança, a cidade terminou 2025 na terceira posição, atrás de Sapezal (MT) e São Desidério (BA).
Os dados são da Pesquisa Agrícola Municipal (PAM) 2025, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (17). O levantamento reúne informações sobre as principais lavouras produzidas nos municípios brasileiros e calcula o valor gerado por cada uma delas.
Para chegar ao valor da produção agrícola, o IBGE considera a quantidade produzida e o preço médio recebido pelos produtores. A pesquisa também acompanha dados como área plantada, quantidade colhida e produtividade.
Em Sapezal, o resultado foi puxado principalmente pelo algodão, que representou quase 60% do valor total da produção agrícola do município. Em Sorriso, a soja continuou como principal produto, enquanto em São Desidério, na Bahia, algodão e soja tiveram participação importante no resultado.
Por que Sorriso deixou o primeiro lugar?
A saída de Sorriso da liderança não significa que o município tenha perdido força no agronegócio. Parte da mudança está relacionada à alteração no território considerado nas estatísticas agrícolas.
Isso aconteceu após a criação de Boa Esperança do Norte, que passou a ser contabilizada como um município independente nas estatísticas do IBGE a partir de 2025.
A nova cidade foi formada por áreas que anteriormente pertenciam a Sorriso e Nova Ubiratã. Do território de Boa Esperança do Norte, 20% vieram de Sorriso e 80% de Nova Ubiratã.
Com a mudança, a área agrícola atribuída aos municípios também foi alterada. Em Sorriso, a área total plantada caiu 9,3% em 2025. A área destinada à soja diminuiu 8,3%, enquanto a de milho recuou 10% e a de algodão, 19,7%.
Mesmo com a redução da área, a produção de Sorriso não apresentou uma queda generalizada. O valor gerado pela soja, por exemplo, aumentou 21,6% e chegou a R$ 4,05 bilhões.
O município também continuou na liderança nacional em valor de produção de milho. Já no algodão, houve queda de 1,6% no valor produzido e de 12,8% na quantidade colhida.
Sapezal assume o topo
Localizada no oeste de Mato Grosso, Sapezal tem pouco mais de 32 mil habitantes e uma economia fortemente ligada ao agronegócio.
A ocupação da região ganhou força nas décadas de 1970 e 1980, durante a expansão da fronteira agrícola de Mato Grosso. Parte dos produtores que chegaram ao município veio da Região Sul do país.
O núcleo urbano começou a se consolidar no fim dos anos 1980, com a abertura da MT-235 e um projeto de colonização ligado ao empresário André Antônio Maggi, da família que deu origem ao Grupo Amaggi.
Sapezal foi criado oficialmente em 1994, após se emancipar de Campo Novo do Parecis. Dois anos depois, Maggi foi eleito o primeiro prefeito do município.
Desde então, a cidade se tornou um dos principais polos agrícolas do país, com destaque para a produção de soja, milho e algodão.
Algodão foi destaque em Sapezal
O desempenho de Sapezal em 2025 foi impulsionado principalmente pelas três culturas.
O algodão herbáceo teve o maior valor de produção, com R$ 5,12 bilhões, crescimento de 42,8% em relação ao ano anterior. A produção chegou a aproximadamente 1,2 milhão de toneladas.
A soja aparece na sequência, com R$ 2,80 bilhões em valor de produção, alta de 51,4%.
Já o milho movimentou R$ 656,9 milhões, crescimento de 58,1%.
A combinação de grandes áreas cultivadas, produção em larga escala e mecanização ajuda a explicar a importância da agricultura para a economia de Sapezal.
O algodão, em especial, é um dos principais destaques do município. Sapezal está entre os maiores produtores do país e já foi apontado pelo IBGE como o maior produtor nacional de algodão herbáceo.
Criação de Boa Esperança do Norte também afetou ranking
A criação do novo município também provocou mudanças na posição de outras cidades no ranking nacional.
Boa Esperança do Norte aparece em 25º lugar entre os municípios brasileiros em valor da produção agrícola, com R$ 1,7 bilhão somente com a soja. O município também registrou R$ 952,8 milhões em produção de milho e R$ 295,2 milhões em algodão.
Já Nova Ubiratã perdeu uma parcela significativa de sua área agrícola. Como cerca de 80% do território de Boa Esperança do Norte veio do município, a área plantada de Nova Ubiratã caiu 42,9%.
A área destinada à soja e ao milho recuou 43,9%, e Nova Ubiratã passou da 8ª para a 20ª posição no ranking nacional.
Produção agrícola brasileira bate recorde
A PAM 2025 também mostra o tamanho do agronegócio brasileiro no último ano.
📍 Maiores municípios: juntos, os dez municípios com maior valor de produção agrícola somaram R$ 65,9 bilhões em 2025, correspondendo a 7,1% de todo o valor gerado pelo setor no país.
Fonte: G1MT
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