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PF investiga suposto desvio de R$ 308 milhões em acordo entre MT e empresa de telefonia

Operação cumpre mandados em quatro estados e apura suspeitas de organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro e uso de informação privilegiada

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Escrito por Samantha Quinzani

06 AGO 2026 - 18H06

A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (6), a Operação Heritage para investigar um suposto esquema de desvio de mais de R$ 308 milhões em recursos públicos relacionados a um acordo firmado entre o Governo de Mato Grosso e uma empresa de telefonia. A investigação apura possíveis crimes de organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro, crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e uso indevido de informação privilegiada.

Ao todo, são cumpridos 25 mandados de busca e apreensão nos estados de Mato Grosso, São Paulo, Rondônia e Ceará. As ordens judiciais foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que também determinou o bloqueio de bens no valor de até R$ 316 milhões, além da quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados.

Entre os alvos da operação estão o ex-governador Mauro Mendes, secretários de Estado, um desembargador e um procurador do Estado. A Justiça também determinou medidas cautelares, como a proibição de deixar o país, com a entrega dos passaportes, e a restrição de contato entre os investigados.

Segundo a Polícia Federal, as investigações tiveram início após a análise de um acordo firmado entre o Estado de Mato Grosso e uma empresa de telefonia para a restituição de valores relacionados a uma disputa tributária.

Os investigadores apontam indícios de que a operação financeira teria sido utilizada para desviar recursos públicos por meio de uma estrutura composta por fundos de investimento em cascata e empresas interpostas. O esquema teria como finalidade ocultar a origem, a movimentação e o destino dos recursos.

De acordo com a PF, os fatos investigados podem caracterizar, em tese, os crimes de organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro, crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e uso indevido de informação privilegiada. As investigações continuam e novas infrações poderão ser identificadas no decorrer da apuração.

O acordo

Em agosto de 2025, a Justiça de Mato Grosso homologou um acordo entre a Procuradoria-Geral do Estado (PGE-MT) e a operadora Oi S.A., prevendo o pagamento de R$ 308 milhões referentes a uma cobrança considerada indevida de ICMS.

O entendimento, firmado em abril de 2024, encerrou uma disputa judicial iniciada em 2009. Na ocasião, a dívida do Estado com a empresa era estimada em R$ 690 milhões, mas o valor foi renegociado e reduzido para R$ 308 milhões.

Em maio de 2024, o Ministério Público Estadual (MPE) instaurou procedimento para apurar o pagamento e verificar se parte dos recursos teria beneficiado pessoas ligadas ao então governador Mauro Mendes.

Conforme a decisão mais recente, a controvérsia envolve a legalidade da cessão de crédito durante o processo de recuperação judicial da empresa e as suspeitas de irregularidades na destinação dos recursos públicos.

Fonte: G1MT

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Por Samantha Quinzani, em Polícia

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