Mato Grosso recebe uma iniciativa voltada à qualificação de profissionais que atuam no setor florestal. O primeiro curso de Identificador Florestal, realizado na modalidade de Formação Inicial e Continuada, reúne conhecimento científico e atividades práticas para preparar novos profissionais para a identificação correta de espécies arbóreas utilizadas no manejo florestal.
A formação é realizada em parceria entre a Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) e o Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), com participação do CIPEM — Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira do Estado de Mato Grosso —, além do apoio do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico.
Segundo João Paulino, diretor do SIMNO, uma das principais necessidades do setor é justamente a formação de mão de obra especializada. A aula prática também permite fazer um levantamento das espécies encontradas na região e auxiliar na solução de dúvidas relacionadas à identificação de madeiras que, em determinadas situações, podem apresentar divergências em processos junto à SEMA e ao IBAMA.
A iniciativa conta ainda com a participação de alunos de cursos ligados à área florestal e do IFMT, que estão sendo preparados para ampliar o número de profissionais capacitados no setor.
A reitora da UFRA, Gracialda Costa, explica que o curso foi criado para formar profissionais capazes de realizar a identificação botânica de espécies arbóreas no manejo florestal.
Um dos principais desafios enfrentados pela atividade é diferenciar espécies que apresentam características semelhantes. Muitas árvores possuem nomes populares parecidos ou são confundidas por pertencerem à mesma família ou gênero. Quando essa identificação é feita de maneira incorreta, o problema pode chegar ao mercado e comprometer a comercialização da madeira.
Por isso, a capacitação busca oferecer mais segurança às empresas e aos compradores, contribuindo para a qualidade do produto e para a transparência das transações comerciais.
Durante o curso, os participantes estudam disciplinas como taxonomia, sistemática vegetal, anatomia da madeira e arquitetura foliar. A proposta é desenvolver um olhar técnico capaz de reconhecer características específicas das espécies e, dessa forma, melhorar a qualidade da identificação.
Além de formar profissionais, a capacitação também contribui para ampliar o conhecimento sobre a flora de Mato Grosso. Segundo Gracialda Costa, existem espécies utilizadas pelo manejo florestal que ainda não foram devidamente registradas em herbários.
O curso aproxima o conhecimento produzido pela ciência da experiência dos profissionais que trabalham diretamente com a floresta. A união entre esses conhecimentos permite aprofundar o estudo das espécies e fortalecer o setor produtivo.
Para o professor Eduardo Leal, da área de Botânica Sistemática Vegetal da UFRA, os alunos utilizam diferentes ferramentas durante o processo de identificação. Entre elas estão materiais bibliográficos, plantas coletadas em campo e exemplares preservados em herbários, que servem como referência para o reconhecimento da flora.
Os participantes também aprendem a observar estruturas morfológicas que muitas vezes passam despercebidas durante o trabalho de campo, como estípulas e látex.
O professor destaca que a identificação correta exige treinamento e atenção, sendo um desafio histórico dentro do setor madeireiro. A qualificação dos trabalhadores, segundo ele, já começa a refletir na melhoria da qualidade da identificação, agregando valor aos produtos e credibilidade ao setor florestal de Mato Grosso.
A anatomia da madeira também tem papel fundamental na formação. A professora Marcela Gomes explica que o estudo das células que formam a madeira permite identificar espécies mesmo quando o profissional não tem mais acesso às características de uma árvore em pé.
Em uma serraria, indústria ou marcenaria, por exemplo, o profissional pode ter apenas uma amostra da madeira. Nesse caso, a análise do arranjo, da formação e da distribuição das células ajuda no reconhecimento da espécie.
Alguns grupos exigem maior atenção e conhecimento técnico para serem diferenciados, enquanto outros apresentam características mais fáceis de reconhecer. Por isso, as aulas buscam treinar o olhar dos participantes para que eles consigam identificar diferenças entre espécies que podem ser visualmente semelhantes.
Durante as atividades, muitos participantes já demonstram experiência na identificação em nível de gênero. A etapa prática do curso busca avançar esse conhecimento para que os alunos consigam chegar à identificação em nível de espécie.
O trabalho envolve a observação do caule, da casca, das folhas e da arquitetura foliar. Esses detalhes são fundamentais para diferenciar espécies pertencentes aos mesmos gêneros.
Para o aluno Tiago Federle, a experiência prática é essencial para quem trabalha diretamente em campo. Durante as aulas, os participantes puderam observar características do caule e da casca e também trabalhar com a arquitetura das folhas.
Segundo ele, o passo a passo das atividades ajuda os alunos a perceberem diferenças que, inicialmente, podem passar despercebidas. Dessa forma, a formação contribui para que profissionais consigam diferenciar espécies semelhantes e aprimorem a identificação realizada durante o trabalho de campo. Com a união entre teoria, ciência e prática, o curso busca fortalecer a qualificação profissional e contribuir para um setor florestal mais seguro, preparado e tecnicamente capacitado em Mato Grosso.
Agosto Lilás Leva Informação Sobre Violência Contra a Mulher Para Idosas em Juína
Expojuína 2026 arrecada mais de 2 toneladas de alimentos para ações sociais em Juína
Cresol é reconhecida entre as melhores empresas para trabalhar no GPTW Latam 2026
Boleto
Reportar erro!
Comunique-nos sobre qualquer erro de digitação, língua portuguesa, ou de uma informação equivocada que você possa ter encontrado nesta página:
Os comentários e avaliações são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site.